100 milhões de crianças estão abaixo do peso e 43 milhões acima do peso em todo o mundo, alerta OMS

Agência lança orientação no combate à obesidade e desnutrição infantil nos países de baixa e média renda, onde vivem mais de 75% das crianças com sobrepeso.

Jovem somali sofrendo de desnutrição grave após fugir de casa com seus pais em meio a conflitos. Foto: ONU

Jovem somali sofrendo de desnutrição grave após fugir de casa com seus pais em meio a conflitos. Foto: ONU

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta quarta-feira (5) uma nova orientação para ajudar os países de renda baixa e média a enfrentarem a dupla ameaça emergente da obesidade e desnutrição infantil e deter a crescente carga de doenças associadas a esses problemas, como diabetes, doenças cardíacas e o acidente vascular cerebral.

De acordo com a agência, mais de 75% das crianças com sobrepeso vivem em países em desenvolvimento, com a prevalência na África quase duplicando nos últimos 20 anos.

Globalmente, mais de 100 milhões de crianças menores de cinco anos de idade estão abaixo do peso, observou a OMS, enquanto 165 milhões são raquíticas – o melhor indicador da desnutrição crônica. Estima-se que 35% de todas as mortes entre crianças menores de cinco anos estão associadas com a desnutrição. Ao mesmo tempo, cerca de 43 milhões de crianças menores de cinco anos estão com sobrepeso ou obesas.

O diretor do Departamento da OMS de Nutrição para Saúde e Desenvolvimento, Francesco Branca, ressaltou que, para evitar um enorme crescimento de problemas nutricionais na próxima geração, os formuladores de políticas públicas precisam urgentemente dar mais atenção à melhoria do estado nutricional das mulheres grávidas e meninas adolescentes que se tornarão as mães da próxima geração.

Para ajudar os países, a OMS apresentou um pacote de 24 ações essenciais de nutrição. Estes incluem a melhoria da alimentação de mulheres grávidas ou em período de amamentar, incentivo ao início precoce da amamentação materna, incentivo à amamentação exclusiva nos primeiros seis meses e depois contínua até os dois anos e promoção de alimentos sólidos apropriados para crianças.

No Brasil, com o objetivo de prevenir o ganho de peso corporal entre trabalhadores adultos, foi lançado no mês passado na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), em Brasília, o Programa Peso Saudável. A iniciativa é uma realização do Ministério da Saúde e foi adotada pela agência da ONU na área de saúde. O projeto quer incentivar a adoção de uma rotina de automonitoramento do peso, estimular a adoção de práticas alimentares mais saudáveis e atividades físicas.