1,6 bilhão de dólares são necessários para salvar milhões de vidas no Chifre da África

Mães chegam a caminhar até cinco horas em busca de ajuda para seus filhos. Países só participaram com metade do valor necessário.

Seca no Chifre da África pode aumentar necessidade de ajuda

“Nossa prioridade é parar esse sofrimento agora”. O apelo, em caráter de urgência, foi feito hoje pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para que os países apoiem os esforços das agências de ajuda humanitária em atividade no Chifre da África. A conta da ajuda necessária chega a 1,6 bilhão de dólares, mas apenas metade do valor foi recebido até o momento.

Quênia, Somália, Etiópia e Djibuti enfrentam situação “catastrófica”, classificou Ban em referência a pior seca da região nos últimos 50 anos. A taxa de desnutrição infantil chega a 30% na maioria das áreas desses países, de onde milhares de pessoas fogem todos os dias para acampamentos de refugiados lotados. Para mitigar esse quadro, o Secretário-Geral deverá encontrar pessoalmente representantes de Estado. Nesta manhã, ele se reuniu com os diretores das agências que desde março alertam para o atraso no recebimento dos recursos.

A crise, no entanto, deve se prolongar. A Subsecretária-Geral para Assuntos Humanitários (OCHA), Valerie Amos, visitou um dos centros médicos na Etiópia e informou que além de alimentos, é preciso fornecer água potável, cuidados médicos, proteção e abrigo. “O que mais me impressionou foi ver uma mulher caminhar até cinco horas para conseguir ajuda. Precisamos reconhecer que as necessidades vão aumentar. Mais recursos são urgentemente necessários.”

O Relator Especial da ONU para o Direito à Alimentação, Olivier De Schutter, disse que a comunidade internacional precisa estar preparada para o aumento do número de secas. “A crise parece uma calamidade natural, mas é em parte fabricada”, disse ele prevendo um aumento na frequência de crises semelhantes em consequência das mudanças climáticas.