Programa Mundial de Alimentos alerta para pressão sobre economias locais onde vivem as pessoas deslocadas, caso seja obrigado a cortar ajuda humanitária.

Entrega de alimentos a pessoas como essas crianças na Síria está ficando mais difícil e mais perigosa a cada dia. Foto: PMA/Abeer Etefa
A agência das Nações Unidas de ajuda alimentar disse nesta sexta-feira (12) que precisa urgentemente de 81 milhões de dólares para ajudar 2,5 milhões de pessoas famintas dentro da da Síria e 1 milhão de refugiados nos países vizinhos até junho.
O Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) advertiu ainda que, sem financiamento, terá de parar de muitos de seus programas atuais de assistência humanitária.
“A falta de financiamento significa que o PMA pode ter que diminuir o número de pessoas que atualmente suporta e vai suspender planos para expandir e aumentar o número de pessoas que pretende alimentar, privando centenas de milhares de pessoas vulneráveis que necessitam de assistência alimentar urgente”, disse a porta-voz do PMA, Elisabeth Byrs, em Genebra.
No Líbano, o PMA teria que parar de fornecer vale-alimentação para cerca de 400 mil refugiados sírios. Na Jordânia, os fundos para o programa de vales são suficientes apenas até meados de maio, e Byrs disse que a agência teria de reduzir o valor dos vales — impactando cerca de 175 mil refugiados sírios que vivem atualmente na Jordânia.
“Os vales-alimentação permitem que os sírios fugindo do conflito escolham entre uma variedade de alimentos para alimentar suas famílias com dignidade”, disse Byrs.
Programa injetou quase 13 milhões de dólares em economias vizinhas
Os vales também impulsionam a economia dos países de acolhimento. Sua suspensão poderia colocar ainda mais pressão sobre as economias locais no Líbano, Jordânia, Turquia, Iraque e Egito, onde o PMA injetou cerca de 12,6 milhões de dólares só no mês passado.
Mais de 70 mil pessoas foram mortas e mais de 3 milhões deslocadas dentro e fora do país desde o início da revolta contra o presidente al-Assad, em março de 2011.
Nos últimos dez dias, o Escritório de Alto Comissariado para Refugiados (ACNUR) observou um aumento no número de sírios que voltavam para casa vindos da Jordânia, com cerca de 300 pessoas cruzando a fronteira todos os dias para a província síria de Daraa. No entanto, esses números representam menos de 1% do número total de refugiados, informou a agência.
“O ACNUR está muito preocupado com o fato de que os refugiados estão retornando para as áreas com escassez de alimentos, falta de combustível e de eletricidade e serviços limitados”, disse a porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming. “A situação de segurança é volátil, com relatos de projéteis de artilharia e morteiros sendo disparados em aldeias de refugiados.”