Tribunal Penal Internacional emite mandado de prisão contra acusado de subornar testemunha

De acordo com o Tribunal, há um grupo de pessoas tentando sabotar o processo contra o vice-presidente do Quênia, William Ruto, um dos quatro quenianos acusados de crimes contra a humanidade.

Promotora do Tribunal Penal Internacional, Fatou Bensouda. Foto: TPI/CIJ

O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu nesta quarta-feira (2) um mandado de prisão para um homem acusado de subornar uma testemunha no processo contra vice-presidente queniano, William Ruto.

O Ministério Público do Tribunal disse que provas recolhidas até agora indicam que há um grupo de pessoas tentando sabotar o processo contra Ruto — um dos quatro quenianos acusados de crimes contra a humanidade e outros crimes que comprometeram as eleições gerais em 2007 — e interferindo junto às testemunhas da acusação.

“Provas convincentes foram obtidas contra Walter Barasa, que faz parte deste grupo de pessoas”, disse a promotora de justiça, Fatou Bensouda. “Esperamos que as autoridades quenianas prendam Barasa e o entreguem ao Tribunal. Ele comparecerá perante os juízes do TPI  acusado de corrupção e de tentar influenciar uma pessoa que ele acreditava ser uma testemunha da acusação”, acrescentou a promotora.

Bensouda disse que a emissão de um mandado de prisão deve servir como um aviso para outros que possam estar envolvidos na obstrução da justiça através da intimidação, assédio, suborno ou tentativa de suborno de testemunhas do TPI.

“Meu escritório continuará fazendo tudo o que puder para garantir que as testemunhas sejam capazes de apresentar suas provas para o Tribunal sem medo”, afirmou.

“Testemunhas que têm a coragem de se apresentar para depor não merecem menos [que segurança]”.

Após a comprovação de fraude nas eleições de 2007 no Quênia, a violência tomou conta do país, e mais de mil pessoas foram mortas, três mil ficaram feridas e cerca de seis mil foram obrigadas a deixar suas casas.