600 mil trabalhadores migrantes estão presos pelo trabalho forçado no Oriente Médio, estima OIT

Organização Internacional do Trabalho destaca que empregados na região precisam da ajuda do empregador para obter visto, o que cria uma dinâmica de poder desigual.

Migrantes, como estes trabalhadores na Jordânia, enviam remessas para seus países de origem. Foto: IRIN / Maria Font de Matas

Migrantes, como estes trabalhadores na Jordânia, enviam remessas para seus países de origem. Foto: IRIN / Maria Font de Matas

Cerca de 600 mil trabalhadores migrantes foram enganados e estão presos pelo trabalho forçado em todo o Oriente Médio, disse nesta terça-feira (9) a Organização Internacional do Trabalho (OIT), durante o primeiro dia de uma conferência regional sobre o tráfico humano.

No Catar, por exemplo, 94% dos trabalhadores são migrantes, enquanto na Arábia Saudita o registro supera os 50%, de acordo com a OIT. Enquanto isso, os migrantes na Jordânia e Líbano também compõem uma parte significativa da força de trabalho, particularmente em setores de construção e trabalho doméstico.

Esses setores são particularmente suscetíveis ao abuso de poder devido ao “Kafala”, ou sistema de patrocínio. A maioria dos migrantes precisam ser auxiliados pelo seu empregador no país para obter visto e estatuto jurídico, um sistema que a OIT chama de “inerentemente problemático”, pois cria uma dinâmica de poder desigual entre o empregador e o trabalhador.

“A migração do trabalho no Oriente Médio é única em termos de escala e de crescimento exponencial nos últimos anos”, disse a Chefe do Programa Especial da OIT de Ação de Combate ao Trabalho Forçado, Beate Andrees, durante a conferência ocorrida em Amã, na Jordânia.

“O desafio é como colocar proteções nos países de origem e de destino para evitar a exploração e o abuso desses trabalhadores”, afirmou Andrees.

As informações foram baseadas no relatório da OIT “Enganados e Presos: Tráfico de Pessoas no Oriente Médio“, que foi divulgado durante a conferência. O documento foi baseado em mais de 650 entrevistas realizadas ao longo de um período de dois anos na Jordânia, Líbano, Kuwait e Emirados Árabes Unidos sobre a forma como os trabalhadores são iludidos para trabalhos forçados e para a exploração sexual, além de abordar as restrições que os impedem de sair.

Dentre as nacionalidades, foram entrevistados migrantes brasileiros trabalhando na construção civil, indústria, comércio, serviços de apoio e agricultura, bem como em atividades no mar.

Para ler o relatório (em inglês), clique aqui.