A cada dois segundos, um bebê nasce em zonas de conflito, alerta UNICEF

Mais de 16 milhões de crianças nasceram no meio de circunstâncias extremas em 2015. Agência da ONU pede mais medidas para resolver a raiz dos conflitos e não comprometer ainda mais a saúde, educação e bem-estar das gerações futuras.

As modificações que fez serão ignoradas se navegar para fora desta página.Tem certeza de que deseja atualizar esta página?

Mãe carrega um bebê após travessia no Mar Mediterrâneo. Foto: UNICEF/Romenzi

Mais de 16 milhões de bebês nasceram em zonas de conflito, em 2015 – um a cada oito de todos os nascimentos em todo o mundo neste ano –, afirmou nesta quinta-feira (17) o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF). Uma cifra que ressalta a vulnerabilidade enfrentada por um número crescente de crianças.

“A cada dois segundos, no meio de um conflito, um recém-nascido respira pela primeira vez; muitas vezes em circunstâncias terríveis e sem acesso a cuidados médicos”, disse o diretor executivo do UNICEF, Anthony Lake.
“Muitas crianças estão agora começando sua vida em circunstâncias extremas – de conflitos a desastres naturais, pobreza, doença ou desnutrição. Pode haver um pior começo na vida?”

Em países afetados por conflitos, como Afeganistão, República Centro-Africana, Iraque, Sudão do Sul, Síria e Iêmen, ou em viagens arriscadas para fugir dos combates, recém-nascidos e suas mães enfrentam enormes riscos. Mulheres grávidas correm o risco de dar à luz sem ajuda médica e em condições insalubres. Seus filhos têm mais probabilidade de morrer antes de seu quinto aniversário e sofrer estresse extremo – ou “tóxico” –, que pode inibir o seu desenvolvimento emocional e cognitivo a longo prazo.

Além dos conflitos, a pobreza, os efeitos das mudanças climáticas e a falta de oportunidades estão tornando as crianças cada vez mais vulneráveis e têm empurrado milhões em viagens perigosas longe de suas casas.

Segundo dados do UNICEF, mais de 200 mil crianças pediram asilo nos países da União Europeia nos primeiros nove meses de 2015, somando-se aos 30 milhões de crianças em todo o mundo forçadas a deixar suas casas em 2014 devido à guerra, à violência e à perseguição. Mais pessoas estão deslocadas agora do que em qualquer momento desde a Segunda Guerra Mundial. Outras 250 milhões vivem em países ou áreas em conflito, enfrentando enormes obstáculos à sua saúde, educação ou bem-estar.

“Os últimos meses de 2015 viram o mundo se reunir em torno do combate às mudanças climáticas e de uma nova agenda de desenvolvimento global. Esses acordos ambiciosos apresentam uma grande oportunidade se pudermos transformar as nossas promessas em ação para as crianças mais vulneráveis”, disse Lake. “Se abordarmos as razões pelas quais tantas famílias sentem a necessidade de arrancar elas mesmas e seus filhos de suas casas – resolvendo os conflitos, combatendo as mudanças climáticas, expandindo oportunidades –, poderemos fazer de 2016 um ano de esperança para milhões de pessoas – e não um ano de desespero.”