A uma semana de eleição presidencial, Burundi está à ‘beira da violência devastadora’, diz ONU

Dirigindo-se ao Conselho de Segurança, dois representantes da Organização se mostraram preocupados com a situação no país que enfrenta enorme instabilidade política.

Após eleições legislativas contestadas, burundianos terão que escolher um novo presidente em uma semana em clima de violência. Foto: Flickr/Brice Blondel (cc)

Após eleições legislativas contestadas, burundianos terão que escolher um novo presidente em uma semana em clima de violência. Foto: Flickr/Brice Blondel (cc)

Duas semanas depois das contestadas eleições legislativas no Burundi e com as eleições presidenciais se aproximando, representantes das Nações Unidas alertaram o Conselho de Segurança nesta quinta-feira (9) que a situação no país sofre um novo risco de violência.

“O Burundi está à beira do precipício de novo e o grave perigo que o país enfrenta não deve ser subestimado, dada a crescente polarização e a escolha aparente de líderes do Burundi de colocar seus interesses pessoais antes do país”, declarou o vice-secretário-geral das Nações Unidas para assuntos políticos, Taye-Brook Zerihoun.

Alguns partidos políticos da oposição e organizações da sociedade civil, em especial aqueles que se opõem a um terceiro mandato do presidente Pierre Nkurunziza, chamaram as eleições de “farsa” e declararam que não iriam reconhecer os resultados.

Além disso, as liberdades fundamentais de participação, reunião, de expressão, opinião e informação sofreram crescentes restrições durante o período da campanha, segundo a Missão de Observação Eleitoral da ONU (MENUB) implantada em todas as 18 províncias do Burundi.

“Em vista das suas observações, a MENUB concluiu que o ambiente não era propício para a realização de eleições livres, confiáveis e inclusivas.”, disse Zerihoun

Segundo o alto comissariado da ONU para os Direitos Humanos Zeid Ra ‘ad Al Hussein, “a crise decorrente da decisão do presidente Nkurunziza para concorrer a um terceiro mandato tem prejudicado uma década de progressos no estabelecimento de instituições democráticas e ganhos preciosos no sentido de uma comunidade nacional comum”. Além disso, ele acrescentou que mais de 145 mil pessoas fugiram para os países vizinhos, e se mostrou convencido de que o Burundi está à beira da “violência devastadora” novamente.