ACNUR: 107,5 mil africanos arriscaram-se em travessias marítimas para o Iêmen em 2012

É o maior fluxo já registrado no trajeto feito por etíopes e somalis em barcos clandestinos. No mesmo período, ao menos cem morreram afogados ou desapareceram.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) anunciou na última semana que cerca de 107.500 refugiados africanos e imigrantes fizeram a perigosa travessia marítima do nordeste africano para o Iêmen em 2012. O maior fluxo deste tipo desde que o ACNUR começou a compilar as estatísticas, em 2006. O recorde anterior foi em 2011, quando mais de 103 mil pessoas chegaram ao Iêmen em barcos guiados por atravessadores.

Dos cerca de 84 mil recém-chegados, mais de 80% são etíopes, enquanto os refugiados somalis constituem a outra parte. Para muitos migrantes, o Iêmen é uma das paradas em sua rota para os países do Golfo Pérsico.

Essas embarcações que vão para o Iêmen estão frequentemente superlotadas e são lideradas por atravessadores clandestinos que, para driblar a guarda costeira do país, por vezes obriga as pessoas a entrarem na água, em geral longe da costa e durante tempestades. O ACNUR estima que pelo menos cem pessoas morreram afogadas ou desapareceram ao tentar atravessar o Golfo de Áden ou o Mar Vermelho em 2012.

Apesar das dificuldades econômicas e da insegurança sentidas no ano passado, o Iêmen continuou a receber e hospedar um número grande de pessoas deixando o nordeste africano em busca de proteção, segurança e melhores condições de vida. Todos os somalis que chegam são automaticamente reconhecidos como refugiados pelas autoridades iemenitas.

O ACNUR conduz o processo para a obtenção do estatuto de refugiado para os etíopes e outras nacionalidades que procuram abrigo no Iêmen. Mas uma porcentagem muito baixa de etíopes decide solicitar formalmente o refúgio, seja por falta de informação e acesso a mecanismos de asilo ou porque não se enquadram nos critérios de reconhecimento da condição de refúgio. Para a grande maioria dos migrantes etíopes o espaço de proteção é quase inexistente e muitas vezes eles correm risco de exploração, violência e abuso sexual.