ACNUR alerta para aumento alarmante de tráfico de pessoas no sudeste asiático

O documento destaca aumento alarmante no número de rohingyas e bengalis que atravessam a Baía de Bengala através de redes de tráficos humanos no período entre janeiro e março de 2015.

Barcos de pesca, tais como estes, encalhados em uma faixa de costa em Teknaf, Bangladesh, são muitas vezes utilizados para transportar passageiros para navios de maior porte na Baía de Bengala com destino a Tailândia ou a Malásia. Foto: ACNUR/S. Alam

Barcos de pesca, tais como estes, encalhados em uma faixa de costa em Teknaf, Bangladesh, são muitas vezes utilizados para transportar passageiros para navios de maior porte na Baía de Bengala com destino a Tailândia ou a Malásia. Foto: ACNUR/S. Alam

O número de migrantes em situação irregular atravessando a Baía de Bengala quase dobrou em relação ao ano passado, em meio a um aumento perigoso no tráfico de pessoas em toda a região, de acordo com um novo relatório do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR).

Lançado nesta sexta-feira (08), o relatório de ‘Movimentos Marítimos Irregulares no Sudeste Asiático’ destaca um aumento alarmante, entre janeiro e março de 2015, no número de rohingyas e bengalis que atravessam a Baía de Bengala através de redes de tráficos humanos em direção a fronteira da Tailândia com a Malásia.

Segundo estimativas atuais 25 mil pessoas estão cruzando uma das rotas marítimas mais perigosas do mundo. De acordo com o porta-voz do escritório do ACNUR, Adrian Edwards, o aumento expressivo no número de migrantes coincidiu com um aumento da lucratividade do tráfico de pessoas na região.

Os dados do relatório revelam que os traficantes mudaram suas estratégias para aliciar aos migrantes, incluindo prometer um embarque barato ou inclusive grátis com a condição de que a pessoa pague a dívida com os seus ganhos no país de destino. Muitas vezes, promessas falsas de trabalho ou incentivos financeiros são usados para convencê-los a participar da jornada.

Em outra modalidade, alguns passageiros são feitos reféns em alto-mar e apenas mediante o pagamento de um resgante são transportados para a Malásia. Estima-se que milhares de pessoas podem encontrar-se neste momento nessas bases marítimas.