ACNUR alerta para crescente número de colombianos que fogem para o Equador em busca de segurança

Governo estima que entre 1,2 mil e 1,5 mil pessoas cheguem à província de Esmeraldas mensalmente. ONU apoia recém-chegados com abrigo e instruções para solicitação de refúgio.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) alerta para o crescente número de colombianos que deixam o país rumo à província de Esmeraldas, no Equador, em busca de segurança. O governo equatoriano estima que entre 1,2 mil e 1,5 mil pessoas cheguem à região todos os meses.

O Chefe do ACNUR em Esmeraldas, Oscar Sánchez Piñeiro, acredita que mais de mil pessoas tenham chegado à província nas últimas semanas e ainda não tenham sido cadastradas por causa da dificuldade de deslocamento entre a região fronteiriça e a capital.

“Os recém-chegados dizem que a situação na Colômbia continua volátil”, afirma Piñeiro. “Entre a população que chega, estão muitas mulheres e crianças que tiveram que fugir por conta de ameaças, assassinato de parentes ou ocupação da terra por grupos armados irregulares. Muitos vivem em condições precárias, especialmente devido a proximidade às zonas de conflitos e ao aumento da violência na fronteira”.

No principal ponto de entrada dos colombianos, San Lorenzo, o ACNUR oferece acomodação e instruções semanais. As sessões incluem orientações sobre como ter acesso ao processo de solicitação de refúgio e a marcação de entrevistas com o Diretório para Refugiados, entidade do Governo Equatoriano encarregada dos registros e condução dos processos de refúgio.

Uma prioridade para o ACNUR na região é trabalhar para ajudar a rastrear os membros de famílias separadas e para melhorar as atividades de proteção ao longo da fronteira com a Colômbia. O trabalho é feito em conjunto com as redes de proteção estabelecidas na região fronteiriça.
Representante do ACNUR em Quito, Debbie Elizondo destaca que o Equador é o país que mais recebe refugiados na América Latina, com mais de 55 mil colombiados reconhecidos.

“Muitas pessoas podem pensar que talvez não haja mais conflito na Colômbia, mas a realidade é que continuamos a ver milhares de colombianos saindo do país para escapar das áreas mais voláteis e das lutas fragmentadas”, disse Elizondo, ressaltando que há perigo também nas fronteiras.

“Apenas no ano passado, 15 pessoas entre refugiados e requerentes de asilo foram assassinados na província de Esmeraldas. Há também o aumento da presença de grupos ilegais armados no entorno da fronteira que operam na região e promovem violações sistêmicas dos direitos humanos”, acrescenta.