Há meses vivendo isolados, os 474 membros sofrem com desnutrição aguda e doenças como a malária. Para o ACNUR, é necessário agir imediatamente para realocar o grupo Peuhl para um lugar seguro.

Um grupo de deslocados internos em Yakole na República Centro-Africana. Foto: ACNUR/M.Dore
A agência da ONU para os refugiados mostrou sua preocupação nesta terça-feira (23) sobre a deterioração das condições de vida de mais de 400 membros de um grupo muçulmano minoritário sitiado há meses pela violência na República Centro-Africana (RCA).
Segundo o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), Adrian Edwards, como consequência desse isolamento, adultos e crianças da etnia Peuhl se encontram gravemente desnutridos e ao menos 30% da população contraiu malária. Os 474 membros do grupo se encontram no município de Yaloke, localizado a 200 quilômetros da capital, Bangui.
Apesar de algumas visitas de agentes internacionais, a situação de violência não permite que o grupo procure ajuda ou outro meio de vida. Em Yaloke, o grupo é submetido a ameaças recorrentes, agressões verbais e físicas e roubos de gado pelas milícias anti-Balaka.
Por mais de dois anos a guerra civil e a violência sectária deslocaram milhares de pessoas na RCA. O ACNUR estima que 440 mil pessoas estão deslocadas dentro do país, e entre elas 36 mil se encontram sitiadas – como os Peuhl – em enclaves por toda a nação africana.
No começo desse mês, o subsecretário-geral da ONU para Operações de Força de Paz, Hervé Ladsous, advertiu que os enfrentamentos poderiam se agravar ainda mais entre a aliança Séléka, majoritariamente composta por muçulmanos, e a milícia anti-Balaka, de maioria cristã.
Para o porta-voz, com as condições se agravando a cada dia e o desejo explícito da comunidade de sair de Yakole, é necessário uma “ação imediata” para realocar os membros da etnia Peuhl para um lugar seguro, seja dentro do país ou nas nações vizinhas.