ACNUR: Deslocamentos forçados podem bater recordes em 2015, com mais de 60 milhões de pessoas

Relatório da agência da ONU para refugiados indica que, entre janeiro de junho de 2015, cerca de 839 mil pessoas se tornaram novos refugiados. Por dia, 4,6 mil foram forçadas a deixar seus países.

Sírios curdos fogem de conflitos em Kobani e chegam à Turquia, país que mais acolhe refugiados, segundo o ACNUR. Em junho de 2015, número de refugiados dentro da nação era de cerca de 1,84 milhão. Foto: ACNUR / I. Prickett

Sírios curdos fogem de conflitos em Kobani e chegam à Turquia, país que mais acolhe refugiados, segundo o ACNUR. Em junho de 2015, número de refugiados dentro da nação era de cerca de 1,84 milhão. Foto: ACNUR / I. Prickett

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) informou nesta sexta-feira (18) que, em 2015, os deslocamentos forçados podem atingir os índices mais altos já registrados, atingido mais de 60 milhões de pessoas. Esse patamar indicaria que uma a cada 122 pessoas no mundo teve que abandonar seus lares. Segundo a agência da ONU, em apenas seis meses – de janeiro e junho desse ano -, cerca de 839 mil pessoas se tornaram refugiados. A quantidade significa que, por dia, 4,6 mil foram forçadas a deixar seus países.

No primeiro semestre de 2015, o número de refugiados chegou a 20,2 milhões, volume que ultrapassa os 20 milhões registrados pela última vez em 1992. Pessoas internamente deslocadas somam cerca de 34 milhões. De acordo com o ACNUR, a guerra na Síria continua sendo o maior gerador de fluxos de refugiados e de indivíduos internamente deslocados.

A agência da ONU calculou a quantidade de pedidos de asilo, estimados em 993.600 para os seis primeiros meses do ano. O valor representa um aumento de 78% em comparação às taxas registradas no mesmo período, em 2014. A Alemanha foi o país que mais recebeu requisições de asilo nesse ano, as quais chegaram a 159 mil, número equivalente quase ao total de pedidos registrados no ano passado, no mundo. A Rússia também recebeu cerca de 100 mil pedidos de asilo, a maioria de pessoas fugindo no conflito na Ucrânia.

Apesar do número impressionante registrado no país, o ACNUR destacou que as consequências da crise de refugiados recaem principalmente sobre as nações próximas às zonas de conflito. É o caso da Turquia, que abrigava o maior contingente de refugiados (1,84 milhão) em junho desse ano, e do Líbano, que apresentava a maior proporção entre a população do país e a quantidade de refugiados: 209 por mil habitantes. A Rússia recebeu o segundo maior número de pedidos de asilo, estimados em 100 mil, por conta dos conflitos na Ucrânia.

A agência da ONU também identificou que as taxas de retorno voluntário atingiram o menor índice já verificado em mais de 30 anos. Esse indicador estipula quantos refugiados podem voltar, em segurança, para suas casas. O valor registrado durante o primeiro semestre de 2015 foi de apenas 84 mil.