ACNUR e parceiros precisam de US$ 500 milhões para ajudar nigerianos e centro-africanos

Mais de meio bilhão de dólares é necessário para levar assistência a cerca de 476 mil centro-africanos e 230 mil nigerianos refugiados. Comunidades anfitriãs também serão beneficiadas.

Vítimas da violência na Nigéria encontram refúgio em Camarões. Foto: ACNUR / H. Caux

Vítimas da violência na Nigéria encontram refúgio em Camarões. Foto: ACNUR / H. Caux

Nesta segunda-feira (25), o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e organizações parcerias solicitaram a nações doadoras uma contribuição de mais de 500 milhões de dólares para levar assistência a pessoas deslocadas da República Centro-Africana e da Nigéria e aos habitantes de comunidades anfitriãs, que abrigam essas populações. Cerca de 230 mil nigerianos e 476,3 mil centro-africanos, que foram forçados a fugir de seus países por conta da violência, serão beneficiados caso o orçamento seja financiado.

Os recursos permitirão oferecer proteção, educação, segurança alimentar, assistência médica, nutrição, meios de subsistência, abrigo, saneamento e água potável para essas populações vulneráveis. Em 2015, apenas 27% da verba solicitada pelo Plano da República Centro-Africana foi disponibilizada. Para a Nigéria, 52% do orçamento foi angariado.

O Plano de Resposta Regional para Refugiados da Nigéria precisa de cerca de 199 milhões de dólares para atender aos refugiados nigerianos e a cerca de 284,3 mil moradores de regiões do Níger, Chade e Camarões, onde os deslocados buscam proteção. Para assistir centro-africanos e os cerca de 289 mil pessoas que os acolheram na República Democrática do Congo, no Congo, no Chade e em Camarões, são necessários 345,7 milhões de dólares.

Na Nigéria, embora o governo esteja conseguindo combater o Boko Haram, as atividades do grupo terrorista continuam a ameaçar países vizinhos. Na República Centro-Africana, episódios pontuais de violência levaram à fuga da população para a República Democrática do Congo. A agência da ONU observou que, apesar dos progressos em ambos os países, tensões ainda existem.

“O sofrimento é elevado e as necessidades são agudas tanto entre os deslocados, quanto entre as comunidades anfitriãs. A violência ocorre numa frequência quase cotidiana na Nigéria e na República Centro-Africana, gerando medo e novos deslocamentos na região”, afirmou a coordenadora do ACNUR, Liz Ahua, que citou ataques suicidas, sequestros, assassinatos indiscriminados e abusos de direitos humanos como algumas das ameaças enfrentadas pelos refugiados.