ACNUR: feira cultural em São Paulo promove integração entre refugiados, imigrantes e paulistanos

Refugiados e imigrantes de diferentes nacionalidades puderam vender e expor pratos tradicionais, peças de artesanato, roupas e turbantes, além de apresentar manifestações culturais típicas como caligrafia árabe e danças africanas. Evento contou com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Entre barracas de comida e artesanato, paulistanos interagem com refugiados. Foto: Migraflix / Divulgação

Entre barracas de comida e artesanato, paulistanos interagem com refugiados. Foto: Migraflix / Divulgação

Refugiados e imigrantes tiveram um encontro especial com paulistanos durante o último domingo (15), no Mirante da Avenida 9 de Julho – um vibrante ponto de encontro de São Paulo atrás do Museu de Arte (MASP).

Sírios, congoleses, colombianos, senegaleses e pessoas de outras nacionalidades puderam vender e expor pratos e doces tradicionais, peças de artesanato, roupas e turbantes, além de apresentar algumas manifestações culturais típicas como a caligrafia árabe e danças africanas na “Feira das Feiras”.

O evento foi organizado pelo segundo ano consecutivo pelo Migraflix e contou com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Em 2016, o tema escolhido para o encontro foi “imigrantes”.

Muna Darweesh, atualmente uma das mais festejadas quituteiras sírias de São Paulo, esgotou o estoque de pratos trazido de sua casa no final da tarde do domingo.

O também refugiado sírio Nauras Haladi, jornalista de 33 anos, precisou pedir mais pacotes de comida árabe a sua mulher, emigrada do Marrocos. “Nós mesmos as preparamos, com muito cuidado. Preparamos pratos árabes enquanto não consigo uma atividade permanente”, explicou o sírio.

A barraca do geólogo Lambert Shesa Londja, refugiado da República Democrática do Congo, chamou a atenção com as bonecas africanas e baianas de pano confeccionadas por sua mulher, Renée Ross Londja, imigrante da Guiana. “Aprendi a fazê-las durante o período em que morei em Manaus”, contou Renée.

Mohamed Rajir, refugiado sírio de 20 anos, ajudava o amigo Salam Al Sayyed, também quituteiro, na venda de geleias caseiras de sabores que não causam estranheza nem a árabes nem a brasileiros, como a goiaba.

O evento contou ainda com a parceria do festival Australia Now e foi embalado pelas apresentações dos grupos Entrópica e Banda do Sassou, além do percussionista australiano Ben Walsh. O ACNUR esteve presente oferecendo informações ao público sobre refúgio e buscando assinaturas para a campanha global #IBelong, que busca promover a sensibilização pública sobre a situação dos apátridas.

“A proposta foi expor imigrantes e refugiados a um evento colaborativo, no qual poderiam apresentar sua cultura, música, dança, gastronomia e até caligrafia em um ponto fervilhante dos finais de semana em São Paulo”, disse o coordenador do Migraflix, Jonatan Berezovsky,

“Para o ACNUR, é importante trazer seu trabalho e o dos refugiados para locais de grande visibilidade na cena paulistana. O modelo do evento demonstra que a integração é uma via de mão dupla: beneficia tanto os refugiados quanto a sociedade acolhedora”, afirmou o Assistente de Proteção do ACNUR, Vinícius Feitosa.

(Por Denise Chrispim, de São Paulo)