A agência da ONU para os refugiados (ACNUR) mostra sua preocupação com o número alarmante de jovens hondurenhos que são atacados, assassinados ou simplesmente desaparecem após serem deportados dos Estados Unidos e do México.

Um jovem anda perto de uma pichação que mostra uma metralhadora em San Pedro Sula, a segunda cidade mais populosa em Honduras. A cidade sofre com uma alta taxa de violência e assassinatos regularmente. Os jovens são os que estão expostos aos maiores riscos. Foto: ACNUR/R. Schönbauer
O atirador estava esperando quando Marco Antonio Cortés tomou o ônibus em San Pedro Sula, cidade no noroeste hondurenho. Uma puxada de gatilho e o rapaz de 18 anos estava morto, somando-se à alarmante lista de homens jovens hondurenhos que são atacados, assassinados ou simplesmente desaparecem após serem deportados dos Estados Unidos e do México.
“Não se trata apenas de um, dois ou três que são assassinados após serem deportados”, disse a irmã Valdete Wilemann, que dirige um centro estatal que hospeda alguns deportados que retornam a Honduras.
Muitos, como Cortés, utilizaram rotas irregulares para chegar aos EUA e ao México e escapar da crescente insegurança que afeta aos jovens em suas comunidades de origem, incluindo ameaças, extorsão, a violência de gangues e as execuções. Outros se dirigem ao norte em busca de uma vida melhor.
As vítimas frequentemente têm idades entre 13 e 17 anos, enviados de volta a suas casas após serem detidos pelas autoridades de imigração por entrar no país sem autorização. Um relatório publicado no ano passado pelo ACNUR, chamado “Jovens em Fuga”, revelou que um número importante de menores de idade provenientes de El Salvador, Guatemala e Honduras que ingressam nos EUA irregularmente poderia estar em necessidade de proteção internacional.
“Cremos que se se analisarem seus casos com maior profundidade, muitos seriam reconhecidos como refugiados com um fundado temor de perseguição e falta de proteção de seus países”, disse Marta Juaréz, diretora do Escritório Regional para a América do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).
De acordo com índices oficiais do México e da Guatemala, nos primeiros oito meses de 2014 mais de 30 mil pessoas foram devolvidas de ônibus, incluindo cerca de 6.200 menores desacompanhados.
Milhares de pessoas foram repatriadas por via aérea dos Estados Unidos. Os jovens e as famílias aterrissam em Palmerola, onde o ACNUR está solicitando às autoridades o acesso a eles. Os adultos são levados a San Pedro Sula.
Segundo informes da imprensa, de janeiro a meados de setembro do ano passado, chegaram mais de 38 mil deportados aos dois aeroportos, em comparação com os 32 mil hondurenhos deportados em todo 2013. Para muitos, seu regresso a suas casas é apenas o início de outra viagem, frequentemente mais perigosa.
Leia a matéria na íntegra: http://bit.ly/1EZgfRa