Mais de 100 agências humanitárias, incluindo da ONU, atuam no país para levar assistência a 13,6 milhões de iemenitas. Organizações precisam de 1,8 bilhão de dólares para responder à crise, mas a comunidade internacional financiou apenas 2% do plano de ação, até o momento.

Número de indivíduos internamente deslocados pelos conflitos do Iêmen foi considerado ‘alarmantemente alto’ pelo ACNUR. Foto: IRIN / Almigdad Mojalli
A violenta crise no Iêmen já forçou mais de 2,4 milhões de pessoas a abandonar suas casas e buscar segurança em outras partes do país. São as estimativas do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e da Organização Internacional para as Migrações (OIM), que chamaram atenção nesta terça-feira (8) para as necessidades extremas enfrentadas pelo povo iemenita.
Um plano de resposta, lançado em fevereiro em Genebra, deseja angariar 1,8 bilhão de dólares para mais de 100 agências humanitárias atuando no Iêmen. A verba permitirá levar assistência para 13,6 milhões de pessoas, mas até o momento, apenas 2% do orçamento foi financiado.
Níveis maiores de deslocamento forçado foram registrados em áreas onde os conflitos se intensificaram em 2016, principalmente nas províncias de Taiz (mais de 555 mil deslocados), Hajjah (mais de 353 mil), Sana’a (mais de 253 mil), Amran (cerca de 245 mil) e Sa’ada (aproximadamente 238 mil). O contingente de deslocados dessas regiões representa 68% de todas as pessoas que fugiram da violência, mas permanecem no Iêmen.
“É provável que a situação piore”, afirmou o porta-voz do ACNUR, Leo Dobbs, uma vez que não se têm em vista quaisquer soluções políticas para os confrontos. “O mínimo (que podemos fazer) é imploramos a todos os lados que permitam o acesso humanitário às áreas mais duramente atingidas, onde a maioria dos deslocados está localizada.”
Mesmo com cercos e restrições de segurança, organismos como o ACNUR, a OIM e parceiros já levam abrigo, proteção e materiais domésticos para mais de 740 mil internamente deslocados. Em janeiro e fevereiro, carregamentos de comida e outros itens de assistência chegaram a Taiz, cidade que ficou sitiada por tempo considerável no ano passado.
O Alto Comissariado e a OIM reiteraram seus pedidos pela liberação da entrega de assistência e bens essenciais para a população. Apesar de a maioria dos iemenitas deslocados buscar segurança com familiares, em escolas, prédios públicos ou abandonados, muitos estão vivendo em abrigos improvisados ou ao relento, com pouca ou nenhum proteção.
Embora informações de dezembro de 2015 indicassem números maiores – cerca de 2,5 milhões de indivíduos internamente deslocados –, a diferença entre essas estimativas e as divulgadas agora não pode ser usada para “mascarar a face humana do conflito, o contínuo sofrimento e as necessidades crescentes” da população, segundo Dobbs.