ACNUR: Muçulmanos, judeus e brasileiros debatem situação de refugiados sírios no Brasil

Evento organizado pela Migraflix – parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) – reuniu praticantes de diferentes religiões para encontro com três refugiados sírios que falaram sobre sua vida no país de origem e a vinda para o Brasil. Conheça a história de um deles.

Líderes de diferentes religiões. Foto: ONU / Rick Bajornas

Líderes de diferentes religiões. Foto: ONU / Rick Bajornas

Em maio, paulistanos de origem judaica puderam conhecer a história de refugiados sírios que fugiram de seu país de origem e tentam, agora, reconstruir suas vidas no Brasil. O encontro foi promovido pela organização não governamental Migrafilx – parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) – na comunidade Beth-El e reuniu judeus, muçulmanos e brasileiros para um dia de diálogo entre praticantes de diferentes religiões.

O evento contou com a participação da banda Mazzej — grupo musical engajado na promoção da interação entre artistas muçulmanos, cristãos e judeus. Os músicos mesclam as tradições e instrumentos de diferentes povos em seus arranjos e buscam reproduzir, ao palco, a convivência pacífica e harmoniosa de judeus e árabes no Brasil.

Ao longo do encontro, três refugiados relataram como eram suas vidas na Síria, como foram suas jornadas em busca de refúgio e seus recomeços no Brasil e responderam a perguntas da plateia.

Um dos palestrantes, engenheiro e proprietário de lojas de roupas infantis em Damasco, contou as tragédias que viveu – foi preso por engano e viu famílias destruídas pelo conflito que se arrasta há cinco anos.

Teve uma semana para escapar da Síria quando foi ser posto em liberdade e partiu com sua família para o Líbano, de onde seguiu para o Brasil no final de 2013. Como ressaltou, teve de deixar 40 anos de vida para trás.

Em São Paulo, trabalhou como vendedor na feira da madrugada do Bráz, viveu de favor na casa da pessoa que o recebeu – sem conhecê-lo – e, recentemente, abriu um restaurante de comida árabe no bairro do Brooklin por meio de uma campanha de arrecadação de fundos pela internet.

O engenheiro sírio aprendeu a falar português, adaptou os pratos árabes ao gosto menos picante dos brasileiros e experimentou ingredientes locais nas receitas tradicionais – como o requeijão na esfiha. Enfrentou a burocracia do Brasil para abrir sua empresa e, atualmente, também é uma das estrelas dos workshops de gastronomia promovidos pelo Migraflix.

“Hoje, eu me sinto em paz e até tenho uma filhinha brasileira. Tive a sorte que muitos sírios não tiveram: os meus filhos não correm mais perigo”, afirmou. “Nós, refugiados, não precisamos de dinheiro, de cesta básica. Precisamos de trabalho e da chance de expor nossa experiência e capacidade.”