O Alto Comissariado da ONU para Refugiados apelou a doadores e países de reassentamento que intensifiquem a assistência a milhares de refugiados e trabalhadores migrantes envolvidos nos distúrbios ocorridos esta semana em um campo próximo à fronteira da Tunísia com a Líbia.
Campo de Choucha, Tunísia – O Alto Comissariado da ONU para Refugiados apelou a doadores e países de reassentamento que intensifiquem a assistência a milhares de refugiados e trabalhadores migrantes envolvidos nos distúrbios ocorridos esta semana em um campo próximo à fronteira da Tunísia com a Líbia.
Até pouco tempo, o campo de Choucha, no leste da Tunísia, abrigava mais de quatro mil trabalhadores migrantes e refugiados – a maioria deles formada por somalis, eritreus e sudaneses – que fugiram do conflito na Líbia desde março. No domingo à noite, um tiroteio no campo matou quatro eritreus e destruiu 20 tendas. A causa do conflito está sendo investigada.
Na segunda, um grande grupo de trabalhadores migrantes cercou o escritório do ACNUR no campo, demandando reassentamento imediato, disse hoje a porta voz do ACNUR, Melissa Fleming, aos jornalistas em Genebra. “Nossos funcionários e outros trabalhadores humanitários receberam ameaças de morte e foram obrigados a se retirar”.
Os manifestantes aumentaram a contrariedade da comunidade tunisina local ao bloquearem a principal avenida entre o ponto de entrada em Ras Adjir e o resto da Tunísia. Na manhã de terça-feira ocorreram outros enfrentamentos entre vários grupos do campo, matando ao menos duas pessoas. A situação piorou quando 500 locais se juntaram à violência. Outras barracas foram saqueadas e queimadas e muitos residentes do campo fugiram para áreas desérticas na região. As autoridades tunisinas conseguiram restaurar a ordem na noite de terça-feira.
Quando o ACNUR levou um pequeno grupo inter-agêncial a Choucha, na manhã de quarta-feira, eles perceberam que cerca de dois terços do campo tinha sido saqueado e destruído. A maioria dos residentes perdeu todos ou quase todos seus pertences, e neste momento estão vivendo em barracas de plástico ou ao céu aberto. O exército tunisino participou com o ACNUR da distribuição de colchões, cobertores e alimentação.
Para aliviar as tensões, a equipe do ACNUR tem se encontrado com representantes de todas as comunidades no campo de Choucha e com as autoridades locais e centrais da Tunísia. Todos acordaram que as prioridades imediatas é garantir a segurança no campo e encontrar soluções distintas para migrantes e refugiados.
“Desde fevereiro, a Tunísia vem enfrentando um deslocamento massivo através de suas fronteiras com a Líbia, e as pressões geradas por este processo precisam ser reduzidas”, afirmou Fleming. “Estamos novamente pedindo aos doares e aos países de reassentamento que façam uma contribuição adicional para o programa de retirada humanitária realizado pela Organização Internacional para Migrações (OIM), e que ofereçam novas oportunidades de reassentamento para os refugiados.
Até o momento, a Agência da ONU para Refugiados recebeu pouco mais de U$ 48 milhões dos U$ 80 milhões necessários para responder à emergência na Tunísia até agosto deste ano.
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