ACNUR pede mais ajuda para refugiados sírios com câncer

Perito médico da Agência da ONU para Refugiados advertiu que o número de refugiados com câncer é pungente nos sistemas de saúde da Jordânia e da Síria.

Zacharia, um refugiado sírio de quatro anos de idade, está morrendo devido a um tumor no cérebro, enquanto que sua mãe lhe dá água e seus irmãos o olham com amor e preocupação. Ele recebeu tratamento na Síria, mas no Líbano sua saúde se deteriorou drasticamente. Foto: ACNUR/L.Addario

Zacharia, um refugiado sírio de quatro anos de idade, está morrendo devido a um tumor no cérebro, enquanto que sua mãe lhe dá água e seus irmãos o olham com amor e preocupação. Ele recebeu tratamento na Síria, mas no Líbano sua saúde se deteriorou drasticamente. Foto: ACNUR/L.Addario

O perito médico da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) advertiu, em um estudo recém-publicado por uma conceituada revista médica britânica, que o número de refugiados com câncer é pungente nos sistemas de saúde da Jordânia e da Síria.

Paul Spiegel, em uma edição da The Lancet Oncology, acrescentou que essa situação estava forçando os escritórios do ACNUR e seus parceiros a tomar a angustiante decisão de quem receberá ou não os cuidados. Ele pediu por medidas urgentes para combater o câncer em situações de crise humanitária.

“Podemos tratar de todos com sarampo, mas não podemos tratar todos com câncer”, disse Spiegel, um médico que documentou centenas de refugiados com câncer na Jordânia e na Síria, e que precisou negar tratamento para vários doentes devido aos recursos limitados.

“Nós temos que afastar os pacientes com câncer com prognósticos pobres porque cuidar deles é muito caro. Depois de perder tudo em casa, pacientes com câncer ainda enfrentam grande sofrimento no exterior – muitas vezes com um enorme custo financeiro e emocional para as famílias”, observou.

O estudo da The Lancet Oncology – que considera os refugiados na Jordânia e na Síria de 2009 a 2012 – relata que o número de casos de refugiados com câncer na região tinha aumentado porque havia mais refugiados no geral e porque mais pessoas estavam fugindo de países de renda média como a Síria.

O câncer também se configura como um problema entre os refugiados de países de renda baixa, onde o foco tem sido, tradicionalmente, em doenças infecciosas e desnutrição.

A forma mais comum de câncer entre os refugiados é o câncer de mama, que reponde por quase um quarto de todos os requerimentos na Jordânia para o Comitê de Cuidados Excepcional do ACNUR (ECC, sigla em inglês), que decide sobre o financiamento de tratamentos caros. Saiba mais sobre o estudo clicando aqui.