Denunciando o que descreveu como falhas catastróficas na proteção de civis em Alepo, o alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, pediu a suspensão das operações militares na cidade e o fim do conflito na Síria. Apesar da preparação da ONU para prestar assistência, cenário é de ‘colapso da humanidade por todos os lados’.

Criança em frente a escola destruída após bombardeio em Ainjara, em Alepo rural, na Síria. Foto: UNICEF/Khalil Alshawi
Denunciando o que descreveu como falhas catastróficas na proteção de civis em Alepo, o alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, pediu no sábado (17) a suspensão das operações militares na cidade. Apesar da preparação da ONU e de outros organismos internacionais para ajudar a população, cenário revela “um colapso da humanidade por todos os lados”, disse o dirigente.
“Toda ação militar deve parar. Todos os civis remanescentes devem ser retirados em segurança da parte leste de Alepo. A prioridade deve ser salvar vidas. Os civis não devem ser reféns das negociações”, afirmou Grandi.
O alto-comissário ressaltou que a cidade “tornou-se uma metáfora para a situação desastrosa na qual a Síria se encontra hoje, com metade da população forçada a sair de suas casas”. A situação é particularmente preocupante por conta da chegada de mais um inverno rigoroso.
Embora a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e seus parceiros tenham conseguido levar ajuda para mais de 8 mil crianças nos últimos dias, “as atrocidades tornaram-se corriqueiras”, afirmou o dirigente.
“Tantas vidas foram perdidas. Há um risco severo de que deslocamentos e sofrimento não parem mais, mas sejam repetidos em outros lugares, em outras guerras. Em nome da proteção civil em todos os lugares, o conflito da Síria deve acabar agora, e sem demora”, enfatizou Grandi.
O chefe do ACNUR ressaltou ainda que “a proteção das pessoas comuns tem de ser uma prioridade e, para isso, é essencial um melhor acesso humanitário em todas as áreas”. “Este é um apelo a todos para uma mudança real”, disse.