Campanha húngara representa refugiados e migrantes como criminosos, terroristas e invasores, com base em suas crenças religiosas e seus locais de origem. A iniciativa será veiculada por dois meses, inclusive no Natal e Ano Novo.

Refugiados se deslocam por rodovia após sair de Budapeste, na Hungria, rumo à Áustria. Foto: ACNUR / Mark Henley
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e organizações parceiras emitiram um apelo ao governo da Hungria nesta segunda-feira (21), para que evite práticas e políticas que promovem a intolerância, o medo e a xenofobia contra refugiados e migrantes. De acordo com a agência da ONU, o Estado húngaro lançou, em dezembro, uma campanha pública que retrata pessoas deslocadas como criminosos, invasores e terroristas, com base em suas crenças religiosas e seus locais de origem.
Em parceria com o Conselho da Europa e o Escritório para Instituições Democráticas e Direitos Humanos, o ACNUR destacou “a necessidade de o governo húngaro de reconhecer que os refugiados estão vindo para a Europa após terem suportado trauma, tragédias e perdas, enquanto buscam por esperança e dignidade para começar uma nova vida, longe das reviravoltas da guerra e dos conflitos”.
“Como parte do sistema comum europeu, espera-se que a Hungria contribua para os esforços conjuntos para lidar com a maior crise de refugiados do continente desde a Segunda Guerra Mundial e que cumpra seus compromissos legais internacionais nessa área de acordo, tanto com o direito internacional, quanto com a Convenção Europeia sobre Direitos Humanos“, afirmaram as organizações.
A campanha criticada pelas entidades representa negativamente não apenas os que fugiram de países em guerra, mas também migrantes não aptos a requerer o status de refugiado. Segundo as organizações, essa não é a primeira iniciativa desse tipo promovida pelas autoridades da Hungria. A campanha será veiculada por dois meses, sendo apresentada nos períodos do Natal e Ano Novo.