ACNUR planeja dobrar assistência em dinheiro para vítimas de deslocamento forçado até 2020

Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) já fornece assistência em dinheiro em 60 países. No próximo ano, organismo planeja introduzir e expandir iniciativas de transferência de renda em 15 nações, sobretudo na África e também na Ásia e Oriente Médio.

Assistência em dinheiro dá mais autonomia a famílias de refugiados que tiveram de fugira da guerra e de conflitos. Foto: ACNUR / Sebastian Rich

Assistência em dinheiro dá mais autonomia a famílias de refugiados que tiveram de fugira da guerra e de conflitos. Foto: ACNUR / Sebastian Rich

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) anunciou no início da semana (31) que planeja dobrar até 2020 o valor da assistência em dinheiro disponibilizada para deslocados forçados. Segundo o organismo internacional, transferência de renda pode beneficiar tanto os que estão fugindo de situações de violações dos direitos humanos, quanto as economias das comunidades de acolhimento.

O ACNUR já fornece assistência em dinheiro em 60 países. Em 2017, com o compromisso de alcançar a meta definida para os próximos quatro anos, a agência introduzirá e expandirá iniciativas de transferência de renda para refugiados em risco e para outras pessoas em necessidade de assistência em mais 15 países, incluindo Níger, República Democrática do Congo, Quênia, Congo, Ruanda, Somália, Sudão, Etiópia, Uganda, Afeganistão e Irã.

O chefe do organismo internacional, Filippo Grandi, explicou que esse tipo de intervenção “tem transformado a maneira como ajudamos os refugiados e agora decidimos torná-la uma política mundial e ampliá-la para todas as nossas operações, sempre que possível”.

O dirigente lembrou que o ACNUR foi um dos primeiros órgãos das Nações Unidas a implementar iniciativas de transferência de renda, em meados dos anos 80.

“Os refugiados sabem de suas necessidades. O uso mais amplo da assistência em dinheiro significa que mais pessoas serão capazes de decidir como gerenciar o orçamento de suas famílias. Isso os ajudará a levar uma vida mais digna e normal”, acrescentou.

Grandi destacou ainda que esse tipo de intervenção pode ser mais eficaz em um contexto de crescente urbanização e que a liberação de renda fortalece as economias e empresas locais das comunidades de acolhimento — o que pode ter consequências positivas para as relações entre os que fogem da guerra e de conflitos e a população nativa dos países que os recebem.

Ban Ki-moon nomeia nova assessora sobre refúgio e migração

Também nesta semana, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, anunciou na terça-feira (1) a nomeação da japonesa Izumi Nakamitsu como a nova assessora especial para acompanhar os desdobramentos da Cúpula da ONU sobre Refugiados e Migrantes, que aconteceu em 19 de setembro.

Nakamitsu sucede a norte-americana Karen AbuZayd, que completou sua missão em 31 de outubro de 2016. Nos próximos três meses, a japonesa cumprirá as tarefas referentes ao novo cargo em regime de tempo parcial, em conformidade com suas atuais responsabilidades como vice-administradora da Unidade de Resposta a Crise do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A nova assessora especial será responsável por monitorar os compromissos assumidos durante a cúpula e coordenar o envolvimento de organismos das Nações Unidas nas decisões, bem como apoiar os Estados-membros na implementação da Declaração de Nova York para os Refugiados e Migrantes.

Izumi Nakamitsu tem muitos anos de experiência profissional dentro e fora do sistema das Nações Unidas, e já atuou como diretora para a Ásia e para o Oriente Médio do Departamento de Operações de Paz e também como diretora da Divisão de Polícia, Avaliação e Treinamento da ONU;

No início de sua carreira, Nakamitsu ocupou uma série de cargos na ONU, participando inclusive da equipe de reforma das Nações Unidas do ex-secretário-geral Kofi Annan e das operações de campo do ACNUR na antiga Iugoslávia, na Turquia e no norte do Iraque.