ACNUR: Refugiados em São Paulo ajudam a sensibilizar empresas e melhorar a contratação de estrangeiros

Para estimular a abertura de vagas e mostrar uma contribuição efetiva dos refugiados ao mercado de trabalho, o Centro de Apoio ao Trabalho (CAT), da Prefeitura de São Paulo, contratou cinco refugiados para o atendimento ao público brasileiro e estrangeiro que busca emprego.

No Centro de Apoio ao Trabalhador, os refugiados atendem outros estrangeiros (inclusive solicitantes de refúgio) e os auxiliam na busca por emprego em São Paulo, a maior cidade do Brasil. Foto: ACNUR/ L.F.Godinho

No Centro de Apoio ao Trabalhador, os refugiados atendem outros estrangeiros (inclusive solicitantes de refúgio) e os auxiliam na busca por emprego em São Paulo, a maior cidade do Brasil. Foto: ACNUR/ L.F.Godinho

A colombiana Margarida Castellón solicitou refúgio no Brasil há seis anos, após sofrer perseguição política em seu país. Ao procurar emprego como professora de espanhol em instituições de ensino, passava por constrangimentos quando apresentava o único documento que possuía: seu protocolo de solicitante de refúgio, emitido pela Polícia Federal. “Você fugiu do seu país? Cometeu algum crime?”, questionavam alguns dos entrevistadores, demonstrando desconhecimento sobre o tema do refúgio.

Situações parecidas com a de Margarida, que ocorrem com certa frequência em várias cidades do país, mostram que é preciso conscientizar empresas e profissionais de recursos humanos sobre os princípios do refúgio, demonstrando que os refugiados podem ser formalmente contratados como qualquer outro cidadão e assim, contribuir em diferentes setores da economia.

Para estimular a abertura de vagas para pessoas em situação de refúgio e mostrar uma contribuição efetiva dos refugiados ao mercado de trabalho, o Centro de Apoio ao Trabalho (CAT), da Prefeitura de São Paulo, contratou cinco refugiados para o atendimento a brasileiros e estrangeiros, que vão ao CAT em busca de emprego. Além de intermediar postos de trabalho com o setor privado, o CAT oferece cursos de qualificação e marketing profissional, emite documentos (como a Carteira de Trabalho) e auxilia na obtenção do seguro-desemprego.

Os cinco refugiados (um paquistanês, três congoleses e uma colombiana) realizam atendimentos no setor de Diversidade da unidade CAT Luz, localizada no Centro de São Paulo. Lá, atuam diretamente com outros refugiados e migrantes, pessoas com deficiência e população LGBTI, cadastrando-os no sistema de busca de empregos do CAT e ministrando palestras sobre o mercado do trabalho em diferentes idiomas. Só no mês passado, 189 refugiados e solicitantes de refúgio foram atendidos no CAT Luz, além de outros 80 migrantes estrangeiros.

“A melhor maneira de sensibilizar as empresas é contratando refugiados”, afirma Flávia Mentone, gerente de Diversidade e Gestão de Pessoas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo (SDTE), órgão da Prefeitura responsável pela gestão dos CATs. Ela destaca que, com os novos funcionários, o CAT Luz melhorou seu atendimento ao oferecer profissionais bilíngues. Com a chegada dos refugiados na equipe, o CAT pode agora atende em inglês, francês e espanhol.

Para a gestora do CAT, a convivência entre os refugiados e os brasileiros no ambiente de trabalho tem sido positiva. Ela conta que os estrangeiros tiveram o apoio dos colegas de trabalho para traduzir, aos seus respectivos idiomas, a apostila de treinamento do “Mais Emprego” – sistema usado pela equipe de atendimento do CAT. As apostilas traduzidas facilitaram os primeiros contatos dos novos funcionários com o sistema usado no atendimento.

Leia o artigo na íntegra em: http://bit.ly/1Dc714M