ACNUR: Refugiados usam teatro para discutir questões de gênero no Rio

Por meio de cenas curtas e sem palavras, os refugiados abordaram e debateram questões de gênero e de violência contra as mulheres.

Refugiados da República Democrática do Congo (RDC) e da Costa do Marfim que vivem no Rio usaram o teatro para discutir questões de gênero e de violência contra a mulher. Foto: ACNUR/D.Félix

Refugiados da República Democrática do Congo (RDC) e da Costa do Marfim que vivem no Rio usaram o teatro para discutir questões de gênero e de violência contra a mulher. Foto: ACNUR/D.Félix

Às vésperas do Dia Mundial do Refugiado, comemorado em 20 de junho, uma atividade realizada pela Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro transformou em atores refugiados da República Democrática do Congo (RDC) e da Costa do Marfim. Por meio de cenas curtas e sem palavras, os refugiados abordaram e debateram questões de gênero e de violência contra as mulheres.

A atividade foi resultado da parceria estabelecida entre a Cáritas Rio – que atua com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) – e o Centro de Teatro do Oprimido, encerrando um ciclo de oficinas realizado ao longo dos últimos dois meses com mulheres e homens atendidos pela instituição.

Baseada em histórias reais vividas pelos participantes, a peça de Teatro-Fórum “Problemas de Mulher” abordou o processo de construção de gênero, que estabelece espaços segmentados entre homens e mulheres. Uma das cenas jogou luz sobre as dificuldades enfrentadas por africanas que desejam estudar, mas esbarram no comportamento machista de seus próprios companheiros. Ao final de cada apresentação, os refugiados eram convidados a discutir a imposição de barreiras de gênero em suas relações familiares e matrimoniais.

Ao final da apresentação, as refugiadas participantes estavam esperançosas de que algo pudesse ter tocado a consciência de seus compatriotas homens, que também encenaram situações de seu cotidiano e expuseram pinturas que ilustravam os problemas enfrentados para a construção da masculinidade. “O que apresentamos aqui é o que acontece na nossa sociedade”, contou a congolesa Mena. “Foi bom ter falado sobre isso para alertar as pessoas”.

O sorriso e a eloquência de outra refugiada da RDC, Nahomie, eram a prova de que, mesmo sem palavras, o teatro havia dado voz às aspirações das mulheres ali presentes. “Foi uma linda história, adorei”, comentou. “A mulher sofre no nosso país. Aqui no Brasil o homem não pode bater na mulher, mas no Congo é permitido e isso não está certo. A mulher tem que trabalhar e estudar. Essa era a nossa mensagem”.