ACNUR registra deslocados e presta assistência para 1,2 mil famílias em Chamchamal, norte do Iraque

Com o aumento da violência no país, cerca de 1,2 mil famílias deslocadas ocupam mesquitas, escolas e edifícios inacabados nessa cidade, ao norte do Iraque.

Najaf e sua família no interior do edifício inacabado que é agora seu lar temporário. Eles deslocaram-se várias vezes este ano em meio aos conflitos no Iraque. Foto: ACNUR

Najaf e sua família no interior do edifício inacabado que é agora seu lar temporário. Eles deslocaram-se várias vezes este ano em meio aos conflitos no Iraque. Foto: ACNUR

Ao longo das últimas duas semanas uma grande família de 80 pessoas vindas da cidade de Fallujah, no centro do Iraque, transformaram loteamentos inacabados na cidade iraquiana de Chamchamal em seus lares temporários. Elas fogem de uma onda de violência que se espalhou por todo o país desde o início do ano.

Nafa Jihad, 40, suas duas mulheres e 11 filhos, juntamente com quatro irmãos e suas famílias, fugiram de sua cidade natal no dia 1 de janeiro.

“Morávamos perto de Bagdá e havia muitos bombardeios. Tivemos uma boa vida em Fallujah vivendo como agricultores”, diz Nafa. “Mas não tínhamos escolha a não ser sair dali, porque não era seguro para nossos filhos. Deixamos tudo, nossas roupas, nossos móveis, até mesmo a nossa comida”.

Nafa e sua família estão entre mais de meio milhão de pessoas que foram deslocadas da província de Anbar, centro do Iraque, desde o início do ano. Muitas buscam segurança em Chamchamal, nordeste do Iraque, onde outras 1.200 famílias deslocadas, como a de Nafa, ocupam mesquitas, escolas e edifícios inacabados.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e seus parceiros se espalharam por toda a cidade de Chamchamal registrando deslocados e fornecendo-os itens de emergência. A agência trabalha no auxílio a deslocados, que agora somam mais de um milhão em todo o Iraque. Até o momento, a Agência de Refugiados da ONU forneceu cerca de 3 mil tendas, 30 mil colchões e outros itens essenciais de higiene e cobertores.

Entre os beneficiados estão Najaf e sua família, que gastaram suas economias com as diversas e difíceis viagens que realizaram para fugir do conflito. Hoje contam com a ajuda humanitária para complementar a pouca renda que conseguem com os escassos trabalhos diários.

“Nós temos visto mais pessoas deslocadas hoje e é uma tragédia para estas famílias. Eles se instalam em uma comunidade e de repente são arrancadas novamente, perdendo todos os seus bens, seus meios de subsistência, as crianças perdem escola também”, diz Jacqueline Parlevliet, do ACNUR, que lidera os esforços de proteção no norte do Iraque. “Isso pode ter uma consequência de longo prazo no futuro destas famílias.”

O governo anunciou planos de criar dois campos em Sulaymaniyah para que essas famílias possam encontrar abrigo e assistência de uma maneira organizada. No entanto, alguns, como Najaf, preferem outra opção.

“Nós preferimos permanecer juntos e receber assistência em dinheiro”, argumenta. “Queremos ficar juntos aqui, para então poder continuar a ajudar e apoiar uns aos outros até que possamos voltar a Fallujah. A única coisa que esperamos agora é voltar para casa.”