ACNUR: Turquia incentiva sírios a alojar-se em seu mais novo campo, que pode receber até 35 mil pessoas

Mehmethay Ozdemir, diretor do campo, disse que a baixa procura se deve ao desconhecimento dos refugiados sobre a existência de Suruc e as boas condições de suas instalações.

Aysha, Wazam e os seis filhos em sua tenda no campo de Suruc, no sul da Turquia. Ao saberem sobre o recém-inaugurado campo de refugiados, a família foi até lá, se registrou e conseguiu uma tenda. Aysha espera voltar para a Síria algum dia, mas, por enquanto, a família não tem para onde ir. Foto: ACNUR/I.Prickett

Aysha, Wazam e os seis filhos em sua tenda no campo de Suruc, no sul da Turquia. Ao saberem sobre o recém-inaugurado campo de refugiados, a família foi até lá, se registrou e conseguiu uma tenda. Aysha espera voltar para a Síria algum dia, mas, por enquanto, a família não tem para onde ir. Foto: ACNUR/I.Prickett

Aysha, seu marido Wazam e os seis filhos estão entre os primeiros moradores do maior e mais novo campo de refugiados da Turquia, inaugurado no final de janeiro para abrigar dezenas de milhares de refugiados sírios da cidade de Kobani, perto dali, do outro lado da fronteira.

Até o momento apenas 5 mil pessoas mudaram-se para o campo, que tem capacidade para abrigar 35 mil das cerca de 192 mil pessoas que deixaram Kobani por causa dos combates entre militantes e as forças curdas da Síria, que começaram em setembro do ano passado. Embora a maioria do 1,5 milhão de refugiados sírios na Turquia viva em áreas urbanas, muitos lutam para sobreviver sem nenhuma ajuda. Assim, as autoridades turcas tentam encorajar mais refugiados das regiões vizinhas a se estabelecerem no campo de Suruc.

A família fugiu da província de Raqqa no ano passado, lutou para por sua sobrevivência no leste da Síria e depois na Turquia, e chegou a Suruc desesperada em 25 de janeiro.

“Para onde deveríamos ir? Nos esforçamos para chegar aqui”, disse Aysha, de 38 anos, segurando no colo o filho mais novo, inquieto. Eles ouviram amigos e vizinhos comentando sobre o campo, dizendo que as instalações eram boas e espaçosas. E, principalmente, que não precisava pagar para viver no campo. “Não temos casa e nem dinheiro para aluguel. Nem sequer temos dinheiro para comprar açúcar”, explicou Aysha.

O ACNUR encontrou a família de Kobani enquanto esperava para ser registrada por funcionários do campo. Suas informações foram inseridas em um banco de dados, eles foram fotografados e tiveram as impressões digitais recolhidas antes de receberem uma barraca e itens como fogão, colchões e cobertores.

O campo de Suruc, um dos 24 construídos pelo governo turco para os refugiados sírios em toda a Turquia, é essencialmente uma pequena cidade, segura, com lojas e restaurantes, uma escola em construção, rede de distribuição de água, energia elétrica, posto de bombeiros, etc. Mas, apesar dos atrativos, o número de pessoas que se desloca para Suruc não é tão alto quanto o esperado.

Mehmethay Ozdemir, diretor do campo, disse que a baixa procura se deve ao desconhecimento dos refugiados sobre a existência de Suruc e as boas condições de suas instalações. “Os problema é que os refugiados não estão cientes da existência deste campo”, disse ele, antes de produzir uma leva de panfletos para serem distribuídos em cidades próximas para encorajar os sírios a buscarem o campo.