Os colombianos estão dando adeus a décadas de confrontos e alimentando a chama da esperança no mundo, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na segunda-feira (26) em Cartagena, dando boas vindas à assinatura do acordo de paz entre o governo do país e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), colocando fim a mais de 50 anos de conflito.

Ban Ki-moon fala a colombianos em cerimônia de assinatura do acordo de paz na Colômbia em Cartegena. Foto: OSSG
Os colombianos estão dando adeus a décadas de confrontos e alimentando a chama da esperança no mundo, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na segunda-feira (26) em Cartagena, dando boas vindas à assinatura do acordo de paz entre o governo do país e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), colocando fim a mais de 50 anos de conflito.
Ban disse ter ficado “profundamente comovido” ao ver milhares de colombianos na cerimônia de assinatura, e se disse honrado de poder celebrar a conquista de “inúmeros colombianos que não perderam a esperança na paz”.
Desde 2012, as partes no conflito promoveram negociações em Havana, Cuba. Durante esse período, negociadores chegaram a acordos sobre questões-chave como participação política, direito a terra, drogas ilícitas, direitos das vítimas e Justiça de transição. Entre outros desenvolvimentos, o governo e as FARC anunciaram em maio um acordo para libertar e reintegrar crianças que atuavam como soldados na guerrilha. As partes também anunciaram a criação de uma subcomissão de gênero para impulsionar a voz das mulheres no processo de paz.
Em suas declarações na segunda-feira, o secretário-geral da ONU lembrou que, quando visitou a Colômbia cinco anos atrás, a lei de reparação às vítimas tinha acabado de começar a construir as bases para a paz. “Vocês tiveram a visão de levar as vítimas para a frente. O que eles perderam nunca poderá ser recuperado. Mesmo assim, as vítimas têm sido a força mais poderosa pela paz e reconciliação, e contra a amargura e o ódio. O exemplo delas deve ser inspiração para todos”, disse.
O acordo prevê não apenas interromper o conflito armado, mas criar as condições para uma paz duradoura baseada no desenvolvimento equitativo, nos direitos humanos e na inclusão. As partes visam a uma paz que valorize e garanta a participação das mulheres, e um futuro no qual haja espaço na política para todos, “mas nenhum espaço na política para a violência”, disse Ban.
Com o acordo de paz, as partes passaram a ter importantes responsabilidades perante a ONU, que foram endossadas pelo Conselho de Segurança. Além disso, o Sistema ONU na Colômbia também ajudará a implementar o acordo, completou.
“Continuaremos oferecendo nosso apoio para enfrentar os desafios humanitários e de direitos humanos que persistem. Estou contente em saber que já existe excelente colaboração entre a missão, o Sistema ONU no país e nossos parceiros colombianos”, disse o secretário-geral.
Ele também reconheceu a contribuição de Cuba e da Noruega para o acordo, como guardiões do processo. Ele também cumprimentou Chile e Venezuela como países mediadores. Ban também lembrou que o acordo de paz na Colômbia já está sendo analisado por forças de paz em outras partes do mundo.
O chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, visitou a Colômbia após a assinatura do acordo. O seu escritório – o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos – auxiliará no processo para garantir que os padrões internacionais de direitos humanos sejam cumpridos.