Acusado por crimes contra humanidade vence eleições no Quênia

Uhuru Muigai Kenyatta é acusado de participação na morte de mais de 1.100 pessoas após eleições em dezembro de 2007.

Primeira ida de Francis Muthaura (direita) e Muigai Uhuru Kenyatta perante o Tribunal Penal Internacional (TPI), em 8 de abril de 2011. Foto: ICC-CPI/AP/Bas Czerwinski.

Novo Presidente do Quênia eleito no último sábado (9), Uhuru Muigai Kenyatta é acusado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade, cometidos após as eleições presidenciais anteriores, em dezembro de 2007.

Mais de 1.100 pessoas foram mortas, 3.500 feridas e até 600 mil deslocadas à força na violência que se seguiu ao pleito de quase seis anos atrás.

Kenyatta, antes Vice-Primeiro-Ministro do país, obteve 50,07% dos votos contra 43,3% de Raila Odinga, atual Primeiro-Ministro, na eleição realizada na segunda-feira (4) e cujo resultado foi confirmado no sábado.

Nesta segunda-feira (11), a Procuradora do TPI, Fatou Bensouda, decidiu por retirar as acusações contra Francis Muthaura, ex-Secretário do Gabinete Presidencial do Quênia, que também sofreu denúncias por crimes contra humanidade após a votação de 2007. No entanto, Bensouda determinou que as acusações contra Kenyatta permanecessem.

A Procuradora afirmou que explicou ao juiz que várias pessoas que poderiam ter fornecido provas importantes no caso morreram ou estão com medo de testemunhar para o Tribunal. Bensouda também observou que o Tribunal perdeu o depoimento de sua testemunha-chave, “após esta se retratar de uma parte crucial de sua prova e admitir que tinha aceitado subornos”.

Além disso, a Procuradora disse que foi “decepcionante” que o Governo do Quênia não tenha conseguido apresentar ao TPI alguma prova importante e que tenha falhado em facilitar o acesso às testemunhas críticas.

No sábado (9), o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, parabenizou os quenianos pelo processo eleitoral pacífico em 2013 e, um dia antes, conversou por telefone com os dois candidatos.

“Ele reiterou seu chamado para ambos os líderes para enviar mensagens claras de calma aos seus apoiantes, e lembrou as promessas que os dois fizeram durante todo este processo para realizar quaisquer queixas eleitorais pelas vias legais estabelecidas”, disse o porta-voz de Ban.