Segundo secretário-geral da ONU, integrantes das forças de paz enfrentam uma série de desafios que incluem terrorismo, governos hostis de acolhimento, armas ilícitas e insegurança extrema. Guterres participou de reunião sobre o tema no Conselho de Segurança da organização.

Soldados da paz senegaleses de uma unidade policial da Missão da ONU no Mali (MINUSMA) falam com a população enquanto fazem patrulha do lado de fora do estádio Mamadou Konate durante um evento para promover paz entre jovens. Foto: ONU/Marco Dormino
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou na quinta-feira (6), durante debate no Conselho de Segurança, que as Nações Unidas precisam garantir missões de paz seguras e realizáveis.
Segundo Guterres, integrantes das forças de paz da ONU enfrentam uma série de desafios que incluem terrorismo, governos hostis de acolhimento, armas ilícitas e, às vezes, são colocados em locais onde a paz está em jogo.
“As operações de paz estão em uma encruzilhada. A nossa tarefa é mantê-las relevantes, com mandatos claros e realizáveis e com estratégias e apoios adequados”, disse.
Ele ressaltou que as operações de paz são diversas e os ambientes de trabalhos são altamente complexos.
“Precisamos de uma estratégia que suporte a diversidade das missões de paz e leve em conta todo o processo: da prevenção, resolução de conflitos e manutenção da paz à consolidação da paz e ao desenvolvimento em longo prazo”, acrescentou.
Em termos de iniciativas para melhorar a arquitetura de paz e segurança da Organização, o secretário-geral destacou que o número de países que contribuem com tropas e policiais aumentou e que tecnologias modernas estão sendo usadas para melhorar a consciência e a análise da situação.
Além disso, as funções-chave foram descentralizadas e a gestão do desempenho e a responsabilização estão sendo reforçadas. Esses esforços reduziram os custos per capita de agentes uniformizados em 18% desde 2008.
O secretário-geral defendeu ainda ser preciso “maior eficiência e prestação de contas”, além de mandatos “claros, realistas e atualizados” do Conselho de Segurança, com mais participação das mulheres nas operações e aumento das contribuições de tropas.
Segundo ele, 54 missões terminaram seus mandatos e fecharam, e mais duas vão fazer o mesmo nos próximos meses. “Esse é o nosso objetivo para cada missão de manutenção da paz: que elas consigam realizar o seu trabalho, a fim de salvar vidas, evitar atrocidades em massa e preparar o terreno para a estabilidade e a paz sustentáveis.”
O chefe da ONU sublinhou ainda a necessidade de um financiamento sólido e previsível para que as missões protegidas por uma resolução do Conselho de Segurança sejam apoiadas por contribuições fixas ou por outros mecanismos de financiamento previsíveis.
“O orçamento de manutenção de paz de hoje é menos da metade de 1% dos gastos militares globais”, disse o secretário-geral.