Afeganistão: Missão da ONU se demonstra ‘seriamente preocupada’ com ameaças do Talibã contra mídia

O grupo fundamentalista condenou recentemente as reportagens de duas estações de TV locais e declarou que consideravam os canais “alvos” e não meios de comunicação legítimos.

O Talibã tomou o território no distrito de Khanabad, na província de Kunduz, no Afeganistão, do outro lado desta ponte. Foto: Bethany Matta/IRIN

O Talibã tomou o território no distrito de Khanabad, na província de Kunduz, no Afeganistão, do outro lado desta ponte. Foto: Bethany Matta/IRIN

Expressando “sérias preocupações” com as recentes declarações do grupo Talibã, que teria identificado meios de comunicação afegãos específicos e suas equipes como alvos, a Missão de Assistência das Nações Unidas no país (UNAMA) instou nesta terça-feira (13) todas as partes no conflito a respeitar e proteger o direito à liberdade de expressão.

“O trabalho dos jornalistas é fundamental no fornecimento de informações independentes e precisas sobre o conflito em curso. Aos jornalistas deve ser garantido o mais alto grau de proteção por atores estatais e não estatais”, disse a Missão em um comunicado.

De acordo com a UNAMA, a Comissão Militar do Emirado Islâmico do Afeganistão emitiu uma declaração no dia 12 de outubro condenando as reportagens de duas estações de TV locais – Tolo TV e 1TV – e declarando que eles consideram estes canais de televisão “alvos” e não meios de comunicação legítimos.

A Missão explicou que, de acordo com o direito humanitário internacional, jornalistas afegãos não são participantes dos conflitos que eles cobrem e, portanto, não perdem o seu estatuto de civis. A lei também protege o direito à liberdade de expressão dos jornalistas. Além disso, a legislação também proíbe explicitamente os ataques contra civis, incluindo ameaças de violência destinadas a aterrorizar a população civil.