Afeganistão: ONU condena ataque aéreo ‘imperdoável’ que atingiu hospital de organização humanitária

Bombardeios em Kunduz atingiram instalações dos Médicos Sem Fronteiras. Integrantes da equipe médica e pacientes foram mortos. Para dirigentes da ONU, ofensiva pode ser considerada crime de guerra.

Hospital do MSF em Kunduz. Foto: MSF

Hospital do MSF em Kunduz. Foto: MSF

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e outros dirigentes da ONU condenaram, neste sábado (3), os ataques aéreos que atingiram um hospital da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Kunduz, no norte do Afeganistão. Os bombardeios, que aconteceram na madrugada, provocaram a morte de integrantes da equipe médica, de pacientes e de outros civis.

Em pronunciamento em Genebra, o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, destacou a necessidade de uma investigação rápida e transparente da ofensiva militar. “Esse evento é extremamente trágico, indesculpável e possivelmente até mesmo criminoso”, ressaltou.

De acordo com o MSF, os ataques aéreos teriam continuado por 30 minutos após forças pró-governo terem recebido informações de que estariam colocando em risco instalações médicas. Ainda não se sabe se o hospital ou seus arredores estavam entre os alvos dos bombardeios. Segundo o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), um porta-voz dos Estados Unidos teria afirmado que aviões norte-americanos realizaram ataques por volta do mesmo horário em que o hospital do MSF foi atingido.

“A seriedade do incidente é acentuada pelo fato de que, se for verificado como deliberado numa corte de direito, um ataque aéreo a um hospital pode corresponder a um crime de guerra”, afirmou o diretor do ACNUDH.

“Hospitais e equipes médicas são explicitamente protegidos pela lei humanitária internacional”, destacou o secretário-geral, Ban Ki-moon. O coordenador humanitário das Nações Unidas para o Afeganistão, Mark Bowden, expressou preocupação com os sobreviventes do ataque. “A população civil está enfrentando agora uma situação ainda mais aguda, encontrando-se desprovida de assistência médica vital”, lamentou.