Em relatório, missão da ONU no país observou um aumento de 34% no número de crianças mortas ou feridas em 2013, em comparação com o ano anterior.

Representante especial e chefe da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA), Jan Kubis (ao centro). Foto: UNAMA/Eric Kanalstein
A principal autoridade das Nações Unidas no Afeganistão condenou nesta terça-feira (8) um atentado suicida na província central de Parwan que matou pelo menos 10 crianças e feriu outras seis, advertindo que tais ataques indiscriminados podem se configurar como violações do direito internacional humanitário.
Uma bicicleta explosiva teria sido detonada na área de Qalandarkhail, no distrito de Bagram, no Afeganistão, enquanto a Polícia Nacional e forças militares internacionais estavam em patrulha a pé nas proximidades.
O Talibã reivindicou a responsabilidade pelo ataque, que matou pelo menos 12 civis e seis pessoas em serviço, ferindo pelo menos outras oito pessoas.
“Um ataque suicida entre um grupo de crianças vai além do horror”, disse o representante especial do secretário-geral para o Afeganistão, Jan Kubis.
“Reitero os chamados repetidos da UNAMA [Missão de Assistência da ONU no Afeganistão] para que o Talibã proiba imediatamente o uso de armas indiscriminadas e cesse os ataques em áreas povoadas de civis”, acrescentou Kubis, que também é o chefe da Missão.
Em seu “Relatório Anual 2013 sobre a Proteção de Civis em Conflitos Armados”, a UNAMA observou um aumento de 34% no número de crianças mortas ou feridas, em comparação com o ano anterior. A equipe da missão de direitos humanos documentou mais de 1.750 mortes de crianças, sendo que pelo menos um terço foram mortas por dispositivos explosivos improvisados.
O ataque ocorre em um momento em que o país aguarda o anúncio de um novo presidente, com o pleito sendo disputado entre Abdullah Abdullah e Ashraf Ghani Ahmadzai.
“A Missão observa ainda que os resultados não são definitivos e estão sujeitos a alterações, e que seria prematuro para qualquer um dos candidatos reivindicar a vitória”, disse, reiterando ainda o seu apelo para que os candidatos e os seus apoiadores exerçam moderação.
A UNAMA exortou as instituições eleitorais a cooperar no âmbito de seus mandatos para realizar auditorias adicionais de forma “rigorosa, oportuna e célere”.