As vítimas estavam participando de um protesto pacífico quando foram atingidas por duas explosões na praça Deh Mazang. Um suicida detonou explosivo no meio da multidão e a polícia atirou e matou uma segunda pessoa que participava do atentado.
Nos seis primeiros meses de 2016, 5.166 mil civis foram mortos ou ficaram feridos no Afeganistão – um recorde semestral dos últimos seis anos –, apontou um relatório das Nações Unidas.

Foto: UNAMA / Fardin Waezi
A ONU condenou fortemente o ataque terrorista contra uma manifestação pacífica em Cabul, capital do Afeganistão, que matou pelo menos 80 pessoas e deixou outras 230 feridas. O atentado ocorreu no último sábado (23) e foi reivindicado pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, também conhecido como Da’esh).
As vítimas estavam participando de um protesto pacífico quando foram atingidas por duas explosões na praça Deh Mazang. Um suicida detonou explosivo no meio da multidão e a polícia atirou e matou uma segunda pessoa que participava do atentado.
Em comunicado emitido por seu escritório, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o ataque terrorista caracteriza-se como um “crime desprezível”, especialmente por ter tido como alvo cidadãos que exerciam pacificamente seus direitos humanos fundamentais.
O dirigente máximo da ONU também expressou sua solidariedade às vítimas e ao governo afegão e pediu que os responsáveis sejam levados à justiça.
O presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Mogens Lykketoft, expressou profunda tristeza e preocupação com as mortes no país, que ainda está lutando com as consequências muito graves de décadas de guerra civil e de extremismo violento.
Para o representante especial do secretário-geral para o Afeganistão e chefe da Missão de Assistência das Nações Unidas no país (UNAMA), Tadamichi Yamamoto, o ataque trata-se de “um afrontamento que não pode ser justificado”.
“Um ataque que alveja deliberadamente um grande grupo concentrado de civis é um crime de guerra”, disse em comunicado emitido pela UNAMA. “É abominável, pois atingiu pessoas que praticavam seus direitos de liberdade de reunião e de expressão”, disse Yamamoto, acrescentando: “É uma tentativa de espalhar o terror entre os civis e sufocar as liberdades que os afegãos sacrificaram tanto para obter”.
Reiterando que as leis humanitárias internacionais proíbem ataques a civis, Yamamoto disse que os autores do ataque devem ser responsabilizados o quanto antes.
Os membros do Conselho de Segurança também condenaram fortemente o ataque e manifestaram sérias preocupações com as ameaças representadas por grupos terroristas, ilegais e armados para a população local, para a Defesa Nacional e Forças de Segurança e para a presença internacional no país.
“O terrorismo, em todas suas formas e manifestações, é criminoso e injustificável, independentemente de sua motivação”, afirmaram em um comunicado à imprensa. “[Ele] não deve ser associado a nenhuma religião, nacionalidade, civilização ou grupo étnico.”
O Conselho ainda sublinhou a necessidade de se tomar medidas para impedir e suprimir o financiamento do terrorismo e das organizações terroristas.
Afeganistão registra novo recorde de mortos e feridos desde janeiro de 2016
Nos seis primeiros meses de 2016, 5.166 mil civis foram mortos ou ficaram feridos no Afeganistão – um recorde semestral dos últimos seis anos –, aponta o relatório das Nações Unidas divulgado na segunda-feira (25).
Desse contingente, a equipe de direitos humanos da UNAMA documentou, entre janeiro e junho deste ano, 1.601 mortes de civis e 3.565 pessoas feridas, um aumento de 4% do número total de vítimas em comparação com os primeiros seis meses de 2015.
Segundo o documento, as vítimas registradas este ano incluem 1.509 mil crianças, sendo 388 mortes e 1.121 casos de menores feridos, e 507 mulheres, incluindo 130 mortes e 377 feridos.

Representante especial do secretário-geral para o Afeganistão e chefe da Missão de Assistência das Nações Unidas no país (UNAMA), Tadamichi Yamamoto, e a diretora da unidade de direitos humanos da UNAMA, Danielle Bell, apresentando o relatório sobre as vítimas no Afeganistão. Foto: UNAMA/Fardin Waezi
O valor total de vítimas civis registradas pela ONU desde janeiro de 2009 a junho de 2016 subiu para 63.934 mil, incluindo 22.941 mil mortes e 40.993 mil casos de pessoas feridas.
De acordo com o alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, “o testemunho das vítimas e de suas famílias coloca em foco a angustiante tragédia de cada uma das 63.934 mil pessoas mortas ou mutiladas por este conflito prolongado desde 2009”.
Para Tadamichi Yamamoto, o relatório deve servir como um alerta para as partes em conflito, “para que elas façam todo o possível para poupar os civis dos horrores da guerra”.
Embora as forças contrárias ao governo continuem representando 60% das baixas de civis, o relatório apontou que houve um aumento no número de civis mortos e feridos pelas forças pró-governamentais.
Durante o período analisado, a UNAMA registrou 1.180 mil mortes de civis atribuídas às forças pró-governo, que representam 23% do total até agora registrado e um aumento de 47% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo o relatório, os combates realizados em terra continuam causando o maior número de vítimas, seguidos pelos ataques suicidas e pelos dispositivos explosivos. Resíduos explosivos de guerra também tiveram um impacto desproporcional em crianças, causando 85% das mortes dos menores.
O relatório apontou ainda que país teve mais de 157 mil deslocados durante os seis meses analisados – um aumento de 10% no número em relação ao ano passado. O Afeganistão tem um total de 1,2 milhão de deslocados internos devido a conflitos.