Afeganistão: ONU pede que autoridades fortaleçam direitos humanos no país

Alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirma que as conquistas para os direitos humanos nos últimos 12 anos são significativas, mas frágeis.

Alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, fala em uma coletiva de imprensa em Cabul, Afeganistão. Foto: UNAMA

Alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, fala em uma coletiva de imprensa em Cabul, Afeganistão. Foto: UNAMA

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu nesta terça-feira (17) às autoridades afegãs que aumentem os esforços para fortalecer os direitos humanos no país, lembrando que, apesar dos avanços nos últimos anos, eles continuam frágeis por causa do período contínuo de transição política, econômica e de segurança.

Navi Pillay disse que durante a sua visita ela se concentrou em garantir que as conquistas para os direitos humanos sejam fortalecidas e não enfraquecidas. Ela ressaltou que a consolidação dos direitos humanos exigirá determinação e coragem por parte do governo, da sociedade civil e dos meios de comunicação.

De acordo com um relatório divulgado pela Missão da ONU de Assistência no Afeganistão, o número de civis mortos ou feridos no primeiro semestre de 2013 aumentou 23% em relação ao mesmo período do ano passado, devido principalmente ao aumento da utilização de dispositivos explosivos improvisados por insurgentes.

O relatório documentou 1.319 civis mortos e 2.533 feridos – um total de 3.852 mortes de civis – na primeira metade do ano.

Navi Pillay disse que, embora a grande maioria das vítimas civis seja causada por forças antigovernamentais, o número de mortes de civis causadas por ações de várias forças de segurança afegãs – incluindo a polícia – também aumentou. Ela enfatizou a necessidade de tentar reduzir os números de civis mortos e feridos durante as operações militares e policiais.

A violência contra as mulheres é uma outra questão grave no país, disse Pillay, observando que a aprovação da lei sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres foi uma conquista muito significativa, mas que a sua implementação tem sido lenta com a polícia, com o Ministério Público e nos tribunais – que permanecem relutantes em aplicá-las.

Pillay pediu “um esforço extra do presidente e seu governo para assegurar que os ganhos nos direitos humanos dos últimos 12 anos não sejam sacrificados para a conveniência política durante estes últimos meses antes da eleição [que está prevista para abril de 2014]”.