Afeganistão tem número recorde de mortes de civis em 2018, indica relatório

Mais de 3,8 mil civis, entre eles mulheres, crianças e homens, morreram no Afeganistão em apenas um ano, segundo relatório divulgado no domingo (24) pela missão política das Nações Unidas no país (UNAMA) e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

Violência brutal e confrontos mataram 3.804 civis em 2018 – incluindo 927 crianças, outro recorde trágico para o ano – de acordo com dados coletados pelas Nações Unidas. O número representa um aumento de 11% em relação a 2017. Além disso, 7.189 pessoas ficaram feridas em 2018, 5% a mais em relação ao ano anterior.

Rua movimentada de Cabul, a capital do Afeganistão. Foto: UNAMA/Fardin

Rua movimentada de Cabul, a capital do Afeganistão. Foto: UNAMA/Fardin

Mais de 3,8 mil civis, entre eles mulheres, crianças e homens, morreram no Afeganistão em apenas um ano, segundo relatório divulgado no domingo (24) pela missão política das Nações Unidas no país (UNAMA) e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

Violência brutal e confrontos mataram 3.804 civis em 2018 – incluindo 927 crianças, outro recorde trágico para o ano – de acordo com dados coletados pelas Nações Unidas. O número representa um aumento de 11% em relação a 2017. Além disso, 7.189 pessoas ficaram feridas em 2018, 5% a mais em relação ao ano anterior.

No geral, aproximadamente dois terços das fatalidades civis foram causados por grupos armados da oposição, incluindo o Talibã, o Estado Islâmico e outros grupos não determinados. No entanto, forças pró-governo (incluindo forças militares internacionais e do Afeganistão) foram responsáveis por quase um terço de todas as vítimas civis.

De acordo com o relatório, o aumento é amplamente relacionado ao salto em ataques suicidas cometidos por grupos armados da oposição, além de danos intensificados a civis por operações aéreas e em solo de forças pró-governo.

“As descobertas rigorosamente pesquisadas do relatório mostram que o nível de ferimentos e sofrimentos infligidos a civis no Afeganistão é profundamente perturbador e inteiramente inaceitável”, disse Tadamichi Yamamoto, representante especial das Nações Unidas para o Afeganistão.

“Todas as partes precisam adotar medidas adicionais concretas e imediatas para cessar um maior agravamento no número de civis feridos e de vidas destruídas.”

O relatório é o décimo das Nações Unidas sobre o destino de civis no conflito afegão. Em uma década, mais de 32 mil civis foram mortos e cerca de 60 mil ficaram feridos.

“É hora de colocar um fim a esta miséria e tragédia humana. A melhor maneira de cessar os assassinatos e mutilações de civis é cessar os confrontos. É por isto que agora há a necessidade de usar todos os nossos esforços para conseguir paz. Peço para todas as partes aproveitem todas as oportunidades para isto”, disse Yamamoto, que também comanda a UNAMA.

Violência relacionada à eleição foi particularmente mortal para civis em 2018. Em 20 de outubro, dia da votação, a UNAMA registrou o número mais alto em um único dia de fatalidades envolvendo civis no ano.

“O conflito no Afeganistão continua matando demasiados civis e causou sofrimentos de longa data, tanto físicos quanto psicológicos, a um número incontável de pessoas”, disse a alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

“O fato de o número de crianças mortas neste ano ser o maior já registrado é particularmente chocante. Além das vidas perdidas, a perturbadora situação de segurança está impedindo muitos afegãos de usufruírem de direitos econômicos, sociais e culturais, com milhares de crianças já deficientes por ataques a escolas e centros médicos”, afirmou.

Bachelet pediu para as partes do conflito respeitarem leis humanitárias internacionais e leis internacionais de direitos humanos para proteger as vidas de todos os civis.