África perde 50 bilhões de dólares por ano com saída ilegal de dinheiro, calcula ONU

Segundo representante da Organização, fluxos financeiros ilícitos atrapalham desenvolvimento do continente africano. Destino de fluxos financeiros ilícitos são países desenvolvidos e paraísos fiscais.

Crianças em centro para refugiados somalis. Foto: ONU/Tobin Jones

Crianças em centro para refugiados somalis. Foto: ONU/Tobin Jones

O vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, e o ex-presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, destacou na quinta-feira (6) a necessidade de esforços globais para lidar com o problema dos fluxos financeiros ilícitos originários da África, que vêm prejudicando o desenvolvimento do continente nas últimas décadas.

Segundo estimativas das Nações Unidas, a África perde 50 bilhões de dólares por ano em fluxos ilícitos, o que ultrapassa os investimentos recebidos pelo continente.

Cerca de dois terços desses fluxos de saída têm origem em atividades de multinacionais, enquanto aproximadamente 30% vêm de atividades criminais, incluindo tráfico humano e do narcotráfico, assim como outras práticas corruptas. Segundo Mbeki, os países que recebem esse dinheiro são países desenvolvidos e paraísos fiscais.

“Se conseguirmos impedir que a África perca recursos em fluxos de saída ilícitos, esses fundos podem ser direcionados para atender as necessidades das pessoas no continente e permitir que elas tenham um futuro melhor”, afirmou Mbeki no Painel de Alto Nível sobre Fluxos Financeiros Ilícitos da África, na sede da ONU em Nova York.

O Painel, estabelecido pela Comissão Econômica da ONU para a África (UNECA) e pela União Africana (UA), foi inaugurado em fevereiro de 2012 e, além de ser presidido por Mbeki, conta com a participação de nove membros de dentro e fora do continente.

O relatório final do Painel, após a visita aos Estados Unidos, deve ser apresentado em junho deste ano, incluindo observações sobre o problema e propostas detalhadas sobre como deve ser a resposta do continente e do resto do mundo.