Agência alerta que câncer infantil é mais letal em países de média e baixa renda

A cada ano, uma média de 215 mil casos de câncer são diagnosticados em todo o mundo entre crianças com menos de 15 anos, afirmou neste mês a Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC). Outras 85 mil ocorrências da doença são identificadas entre jovens com idade de 15 a 19 anos. Instituição alertou para diferença de até 60% nas chances de sobrevivência entre crianças de países ricos e pobres.

Criança em hospital de Maracaibo, na Venezuela. Imagem de 2013. Foto: Wikimedia (CC)/The Photographer

Criança em hospital de Maracaibo, na Venezuela. Imagem de 2013. Foto: Wikimedia (CC)/The Photographer

A cada ano, uma média de 215 mil casos de câncer são diagnosticados em todo o mundo entre crianças com menos de 15 anos, afirmou neste mês a Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC). Outras 85 mil ocorrências da doença são identificadas entre jovens com idade de 15 a 19 anos. Instituição alertou para diferença de até 60% nas chances de sobrevivência entre crianças de países ricos e pobres.

A IARC — agência especializada da Organização Mundial da Saúde (OMS) — defendeu que aumentar e melhorar a coleta de dados de saúde pode ajudar a reduzir o impacto do câncer infantil. “Para combater o câncer infantil e as desigualdades, a escala do problema precisa ser conhecida”, alertou a agência em comunicado para lembrar o Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil (15 de fevereiro).

Segundo a instituição, em países de renda alta, 80% das crianças com câncer conseguem ser curadas, enquanto que, em países de baixa e média renda, apenas 20% sobrevivem.

De acordo com o organismo, as desigualdades surgem da falta de capacitação entre profissionais da saúde, assim como da ausência de infraestruturas médicas eficazes. Instalações inadequadas para diagnósticos e tratamentos também são parte do problema. “O país de residência é o melhor indicador do resultado (do tratamento) para crianças com câncer”, afirmou a IARC.

A OMS aponta que a assistência médica adequada e a tempo pode aumentar significativamente as taxas de sobrevivência, mas muitos jovens em países em desenvolvimento não estão recebendo as terapias corretas.

Dados de qualidade são críticos

Em muitos países de baixa renda, a falta de infraestrutura e de registros de qualidade sobre câncer significa que os dados sobre o impacto do câncer entre crianças são escassos. Por exemplo, informações sobre a incidência de câncer estão disponíveis para apenas 5% da população infantil da África. Taxas de sobrevivência estão disponíveis para uma porcentagem ainda menor.

Dados da OMS mostram que, em comparação com os adultos, as crianças são afetadas por tipos diferentes de câncer. Quase metade dos casos de câncer infantil é relacionada a células sanguíneas. Outros casos mais frequentes são tumores no sistema nervoso central e tumores que podem se desenvolver a partir de tecidos embrionários.

Para entender e combater o câncer infantil, a IARC se uniu à recém-formada Iniciativa Global para o Câncer Infantil, da OMS. O projeto busca reduzir as desigualdades no acesso ao diagnóstico e na qualidade do tratamento. Também visa melhorar os resultados do tratamento para todas as crianças.

De acordo com a cientista Eva Steliarova-Foucher, da IARC, a agência de pesquisas é capaz de dar um “valioso apoio técnico para ajudar países a construírem seus sistemas de informação e usarem dados sobre incidência, sobrevivência e mortalidade para a avaliação, planejamento, monitoramento e controle do câncer”.

“Muitos países não estão cientes da extensão do impacto do câncer infantil”, acrescenta a diretora da agência internacional, Elisabete Weiderpass. A dirigente aponta ainda que “a falta de dados de alta qualidade impede governos de identificar políticas eficazes de saúde pública e de responder às necessidades dos pacientes”.

A Iniciativa Global quer alcançar uma taxa de sobrevivência de pelo menos 60% para todas as crianças com câncer no planeta, até 2030. A meta representa aproximadamente o dobro da taxa atual de sobrevivência. Se o projeto atingir o objetivo, conseguirá salvar 1 milhão de vidas ao longo da próxima década.