A classe média na Europa encolheu 2,3% no período de 2004 a 2011, de acordo com relatório divulgado na terça-feira (22) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), segundo a qual a trajetória manteve tendência de queda nos últimos cinco anos.
O documento apontou que classe média mais forte ainda é encontrada na Dinamarca e na Suécia (com 40% e 39%, respectivamente), enquanto a Letônia (23%) e a Lituânia (24%) têm a menor taxa.

Manifestantes protestam em Atenas, na Grécia, durante greve contra ajuste fiscal promovido pelo governo em 2012. Foto: IRIN/Kristy Siegfried
A classe média na Europa encolheu 2,3% no período de 2004 a 2011, de acordo com relatório divulgado na terça-feira (22) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), segundo a qual a trajetória manteve tendência de queda nos últimos cinco anos.
De acordo com o relatório “Desaparecimento da Classe Econômica na Europa? Evidências do Mundo do Trabalho”, o declínio é ainda mais sentido em países como Alemanha e Grécia.
O núcleo da classe média, definido por aqueles que têm uma renda entre 80% e 120% do salário mediano, é representado por 23% a 40% das famílias na União Europeia.
O documento apontou que classe média mais forte ainda é encontrada na Dinamarca e na Suécia (com 40% e 39%, respectivamente), enquanto a Letônia (23%) e a Lituânia (24%) têm a menor taxa.
“Os países com uma classe média mais forte são caracterizados por um maior número de adultos que trabalham dentro das famílias e por um aumento do número de famílias com duas fontes de renda”, explicou o economista sênior da OIT, Daniel Vaughan-Whitehead. Segundo ele, um exemplo é a Espanha, que registrou um rápido crescimento dessa classe desde 1980 graças à participação das mulheres no mercado de trabalho.
“Isso também significa que somente um rendimento pode agora deixar de ser suficiente para permanecer na classe média. Em alguns casos, certos profissionais, como professores e médicos, frequentemente classificados como pertencentes à classe média, já não correspondem a grupos de renda média”, acrescentou.
O estudo também revelou que o rendimento médio sobre o qual se define a classe média também diminuiu durante a crise econômica, especialmente entre 2008 e 2011. Grupos dessa faixa de renda foram afetados pelas implicações da crise no mercado de trabalho em países como a Grécia, Espanha, Estônia, Chipre e Portugal.
Embora a classe média estivesse aumentando na Espanha antes da crise, ela se contraiu desde o início da recessão. Da mesma forma, o crescimento da classe média, que era visível na maioria dos países da Europa Central e Oriental, foi interrompido pela estagnação econômica.
No entanto, a erosão da classe média já era vista antes da crise em vários países, especialmente na Alemanha (-3% ao ano), mas também em Luxemburgo, Países Baixos, Grécia, Reino Unido e até mesmo na Dinamarca. Muitos trabalhadores desses países deslocaram-se para grupos de baixa renda.
O declínio da classe média no mundo do trabalho tem sido impulsionado por um conjunto complexo de fatores, cuja importância relativa varia de acordo com os contextos nacionais. Em alguns países, os salários mais baixos e a queda do emprego no setor público levou à erosão da classe média.
Em outros países, a migração de determinadas categorias de trabalhadores tem desempenhado um papel importante. A baixa qualidade dos empregos e o crescimento de setores de baixos salários também são fatores determinantes.