Agência da ONU alerta para recorde de mortes no Mediterrâneo em 2016

O número de refugiados e migrantes que morreram tentando atravessar o Mediterrâneo atingiu um recorde até agora no ano, de acordo com dados divulgados pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Somente este ano, 3.740 vidas já foram perdidas, um número pouco inferior às 3.771 mortes registradas durante todo o ano de 2015.

Pessoas que tentam atravessar do norte da África para a Europa em um barco de pesca superlotado são resgatados no mar Mediterrâneo pela Marinha italiana. Foto: Marinha Italiana/Massimo Sestini

Pessoas que tentam atravessar do norte da África para a Europa em um barco de pesca superlotado são resgatados no mar Mediterrâneo pela Marinha italiana. Foto: Marinha Italiana/Massimo Sestini

O número de refugiados e migrantes que morreram tentando atravessar o Mediterrâneo atingiu um recorde até agora no ano, de acordo com dados divulgados na terça-feira (25) pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Expressando preocupação com esse cenário, o ACNUR informou que somente este ano 3.740 vidas já foram perdidas, um número um pouco inferior às 3.771 mortes registradas durante todo o ano de 2015.

“Este é o pior cenário que já vimos”, disse o porta-voz do ACNUR, Willian Spindler, durante coletiva de imprensa em Genebra. “No ano passado, foi registrada uma morte a cada 269 chegadas, em 2016, a probabilidade de mortes aumentou drasticamente para uma a cada 88”, completou.

Spindler afirmou ainda que o grande número de vidas perdidas aconteceu apesar de uma considerável queda geral no número de pessoas que procuraram atravessar o Mediterrâneo para a Europa neste ano. Em 2015, pelo menos 1.015.078 pessoas fizeram a travessia. Este ano, até agora, foram contabilizadas 327.800 pessoas.

“Entre a Líbia e a Itália, a probabilidade de mortes é ainda maior: uma a cada 47 chegadas”, acrescentou, referindo-se à rota do Mediterrâneo central.
As causas do aumento de mortes são muitas: neste ano, cerca de metade daqueles que cruzaram o Mediterrâneo embarcaram no norte da África com destino à Itália — uma das rotas mais perigosas.

“Contrabandistas estão usando atualmente embarcações de menor qualidade — são botes infláveis, frágeis, que geralmente não suportam toda a jornada. Diversos incidentes também parecem estar relacionados às más condições climáticas”, explicou o porta-voz, acrescentando que as táticas dos contrabandistas também estão mudando. Em várias ocasiões foram observadas “embarcações em massa de milhares de pessoas”.

“Isso pode ter relação com uma mudança no modelo de negócio dos contrabandistas para diminuir os riscos de detecção, embora isso também torne mais difícil o trabalho das equipes de resgate”, concluiu o porta-voz.

O ACNUR afirmou que enfrentar essa situação e ao mesmo tempo garantir a efetividade dos sistemas de refúgio continua sendo um desafio político para muitos países, mas que medidas necessárias para salvar vidas ainda são possíveis. A Agência da ONU encoraja todos os países a se esforçar nesse sentido, declarou.

O acesso e a expansão de caminhos regulares para que os refugiados alcancem segurança requerem uma atenção maior e mais urgente, segundo a agência. Tais meios incluem aprimoramentos nos processos de reassentamento e de admissões humanitárias, reunião familiar, financiamentos privados assim como vistos humanitários, estudantis e de trabalho para refugiados.

“Esta alta taxa de mortalidade também serve como alerta para a importância de aprimorar a capacidade de buscas e resgates — sem as quais os índices fatais serão certamente ainda maiores”, completou Spindler.