Agência da ONU alerta sobre fuga em massa da República Centro-Africana e do Sudão do Sul

ACNUR afirma que, até junho deste ano, 3,2 milhões de pessoas poderão precisar de ajuda humanitária em decorrência das duas crises na África.

Uma mulher deslocada da República Centro-Africana (RCA) fala sobre a sua situação no abrigo de uma igreja em Boali, uma cidade ao norte da capital Bangui. Foto: ACNUR/A. Greco

Uma mulher deslocada da República Centro-Africana (RCA) fala sobre a sua situação no abrigo de uma igreja em Boali, uma cidade ao norte da capital Bangui. Foto: ACNUR/A. Greco

A agência de refugiados das Nações Unidas apelou nesta terça-feira (4) para um maior apoio para atender às necessidades de pessoas que fogem das crises na República Centro-Africana (RCA) e no Sudão do Sul, especialmente aqueles que chegam ao Chade, Camarões e Etiópia.

“Estamos apelando para os nossos parceiros e os governos desses países para ajudar a acelerar o apoio a essas pessoas — que apesar de ainda relativamente pequena em número estão, no entanto, em necessidade urgente por assistência”, disse Melissa Fleming, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) .

Ela disse em entrevista coletiva em Genebra que a crise no Sudão do Sul e na RCA causaram uma das maiores crises de refugiados e de pessoas internamente deslocadas que a África já havia visto nos últimos anos, tendo juntas deslocado à força cerca de 1,8 milhão de pessoas em toda a região.

Dentro do Sudão do Sul existem atualmente mais de 739 mil pessoas que estão internamente deslocadas e mais 196.921 abrigadas em países vizinhos, de acordo com o ACNUR. Estima-se que até junho deste ano até 3,2 milhões de pessoas possam estar precisando de ajuda humanitária. A segurança alimentar já é um problema.

Já na RCA, há atualmente 701.500 pessoas deslocadas internamente e 290.801 que fugiram do país como refugiadas. Mais de metade dos 4,6 milhões de habitantes do país precisam atualmente de ajuda humanitária.

“No Chade, Camarões, Etiópia e outros locais onde os refugiados estão chegando, o esforço de ajuda para quem chega a partir desses conflitos deve ser urgentemente reforçado”, disse Fleming, observando que o número crescente de recém-chegados está ultrapassando os recursos humanitários disponíveis. Entre as necessidades mais urgentes estão alimentos, água potável, abrigo e saneamento.

Ao mesmo tempo, o financiamento de emergência tanto para a RCA e quanto para o Sudão do Sul continuam “muito abaixo das necessidades”.

A ONU e os seus parceiros estão buscando 551 milhões de dólares para o seu Plano de Resposta Estratégica de 2014 para a RCA, e outros 1,27 bilhões de dólares até junho de 2014 para o Sudão do Sul.

Também destacando as necessidades crescentes de refugiados da RCA no Chade, o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) pediu mais recursos para ajudar os que fugiram de suas casas com poucos pertences. A maioria dos refugiados são mulheres e crianças.

Thomas Gurtner, coordenador humanitário da ONU no Chade, notou que muitos dos refugiados estão feridos, traumatizados, doentes ou desnutridos, e há cerca de mil crianças que estão desacompanhadas ou separadas de suas famílias.

“O mundo precisa tomar conhecimento dessa tragédia humana”, disse Gurtner. “O governo do Chade, as agências da ONU e parceiros humanitários estão fazendo tudo o que podem. Mas todos são levados ao limite e carecem de recursos. Só mais financiamento nos permitirá cobrir as necessidades humanitárias mais urgentes.”

O Programa Mundial de Alimentos (PMA), disse sua porta-voz Elisabeth Byrs, planeja ajudar 150 mil pessoas no Chade sob uma nova operação de emergência durante um período de seis meses.

Como parte dessa iniciativa, o PMA vai prestar assistência em alimentos e vales para as pessoas recém-chegadas da RCA.