Subsecretária-Geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários afirma que obstáculos para levar ajuda aos necessitados crescem dramaticamente. Comboios são atacados e funcionários, sequestrados.

Subsecretária-Geral da ONU para Assuntos Humanitários, Valerie Amos (dir.), em reunião do Conselho de Segurança. Foto: ONU/Rick Bajornas
Organizações humanitárias estão enfrentando desafios dramaticamente crescentes para levar ajuda aos oprimidos pela “catástrofe humana” na qual a Síria se tornou. O alerta da Subsecretária-Geral da ONU para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, foi feito nesta quinta-feira (18), quando pediu ao Conselho de Segurança que aja para acabar com o horror.
Segundo a Subsecretária-Geral, que também é Chefe do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), dentre os obstáculos estão a burocracia para a entrada e saída de pessoal do país, dezenas de bloqueios nas estradas e a redução de 110 para 29 organizações não governamentais aprovadas para atuar no local.
Amos ressaltou que as condições são mais graves em áreas de combate e naquelas controladas pela oposição. Números mais recentes mostram que há 6,8 milhões de necessitados. O número de deslocados internos chega a 4,25 milhões e de 1,3 milhão já buscaram refúgio nos países vizinhos. Mais de 70 mil pessoas foram mortas desde março de 2011, quando começou o levante contra o Presidente Bashar Al-Assad.
“O Conselho de Segurança ainda não foi capaz de alcançar o consenso necessário para apoiar uma solução política para a crise”, disse Amos. “Embora a ajuda humanitária seja cada vez mais necessária, algumas limitações estão forçando-nos a suspender algumas atividades.”
Amos afirmou que, ao contrário do que vem sendo difundido, a ajuda da fronteira turca para a cidade de Aleppo foi significativamente reduzida nos últimos dois meses, pois os comboios humanitários são regularmente atacados ou baleados e os funcionários intimidados ou sequestrados.
As principais cidades da Síria foram devastadas, o lixo está acumulando e os surtos de diarreia e cólera estão crescendo. Em Aleppo, não há mais bancos de sangue, anestésicos ou mesmo fio de sutura. Hospitais e funcionários são regularmente atingidos durante os combates.
“Meu apelo a este Conselho é em nome do povo sírio, mas também de todos aqueles que procuram ajudá-lo. Estamos perdendo a esperança. Não podemos fazer nosso trabalho corretamente. Pedimos para que tomem as medidas necessárias para acabar com este conflito brutal”, acrescentou a Subsecretária-Geral.