Agência da ONU constrói fábrica de têxteis para cidadãos deslocados na RD Congo

“Eu adoro costurar”, conta a congolesa Clémence, de 20 anos, enquanto passa os dedos pelo tecido com o qual trabalha. O artesanato têxtil trouxe alegria e um novo propósito para a vida dessa jovem. Com um projeto da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), ela pôde recomeçar a vida em sua vila natal, dez anos após fugir de casa por causa da violência no leste da República Democrática do Congo.

Hoje Clémence consegue trabalhar como costureira e pôr suas competências profissionais em prática. Foto: ACNUR/ Natalia Micevic

Hoje Clémence consegue trabalhar como costureira e pôr suas competências profissionais em prática. Foto: ACNUR/ Natalia Micevic

“Eu adoro costurar”, conta a congolesa Clémence, de 20 anos, enquanto passa os dedos pelo tecido com o qual trabalha. O artesanato têxtil trouxe alegria e um novo propósito para a vida dessa jovem. Com um projeto da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), ela pôde recomeçar a vida em sua vila natal, dez anos após fugir de casa por causa da violência no leste da República Democrática do Congo.

Em 2008, ela foi forçada a deixar sua comunidade no sul da cidade de Kitchanga. Os pais, os quatro irmãos e as duas irmãs menores acompanharam a então menina Clémence.

“Nós fugimos quando os rebeldes começaram a perseguir e matar a população, alguns morreram e outros conseguiram escapar”, diz a congolesa. “Nós fomos primeiro para a vila vizinha, em Kibariso, onde ficamos na comunidade. Uma família local nos recebeu.”

Posteriormente, a família se mudou para o campo de deslocados de Kahe, em Kitchanga, onde alguns parentes vivem até hoje. “(Na época) Não estávamos trabalhando. Meus pais conseguiram pagar meus estudos. Eu me formei em 2015 e minhas irmãs ainda estão na escola”, conta Clémence.

Depois de concluir os estudos, a jovem passou um ano em Goma, capital da província de Kivu do Norte, aprendendo a costurar, mas não conseguia emprego. Foi então que finalmente pôde retornar para a sua vila natal. “Eu voltei para Kitchanga, mas não tinha nenhum tecido ou máquina para costurar. Então eu ficava em casa sem nenhum trabalho”, lembra Clémence.

A vida da congolesa mudou quando o ACNUR construiu e equipou uma pequena fábrica, onde a jovem e outros 57 congoleses deslocados agora trabalham juntos. Eles produzem sabão e kits sanitários.

Fábrica de têxteis foi construída e equipada pelo ACNUR. Foto: ACNUR/Hoje Clémence consegue trabalhar como costureira e pôr suas competências profissionais em prática. Foto: ACNUR/ Natalia Micevic

Fábrica de têxteis foi construída e equipada pelo ACNUR. Foto: ACNUR/Hoje Clémence consegue trabalhar como costureira e pôr suas competências profissionais em prática. Foto: ACNUR/ Natalia Micevic

Na oficina, chamada “Tuungane Pamoja” (“Trabalham jutos”, em suaíli), Clémence pôde colocar em prática as suas habilidades, além de se dedicar a uma causa em que realmente acredita. A jovem costura absorventes íntimos reutilizáveis.

Nessa região da República Democrática do Congo, a falta de absorventes acessíveis leva muitas meninas a usar tecido como alternativas, o que pode causar infecções e também afetar as suas vidas diárias, incluindo seu emprego e desempenho na escola.

“Este absorvente que estamos produzindo é ótimo”, afirma Clémence.

“Ele realmente melhora a higiene de mulheres e meninas durante a menstruação. Não tem consequências negativas em nossa saúde, como alguns dos outros absorventes ou pedaços de pano que podem causar irritação e infecções. Nós fazemos esses com as nossas próprias mãos, nós sabemos o que está nele, não colocamos nenhum produto adicional nem componentes tóxicos”, explica a congolesa.

A iniciativa da agência da ONU não apenas promove a higiene feminina, mas também empodera mulheres deslocadas como Clémence, que está entusiasmada por participar do programa.

“Eu fiquei tão feliz de ser selecionada para este projeto”, diz a congolesa. “Estou feliz por não ter mais que ficar em casa sem nada par fazer. Eu gostaria de me envolver o máximo que puder.”

Você pode apoiar os esforços do ACNUR para dar oportunidades de trabalho a pessoas deslocadas e refugiadas. Faça uma doação clicando aqui.