“Esse fenômeno pode levar ao fracasso da erradicação global de uma das mais sérias doenças evitáveis por vacinação”, diz a OMS. Camarões, Paquistão e Síria têm maior risco de exportar o vírus.

Vacina oral da pólio. Foto: OMS
Em reunião de seu Comitê de Emergência, nesta segunda-feira (5), a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou como um “evento excepcional” o ressurgimento da poliomielite em áreas onde já tinha sido erradicada, e alertou que apenas uma resposta internacional coordenada será capaz de impedir o retorno da doença.
Os membros Comitê – reunidos em Genebra, na Suíça – afirmaram que a prioridade nos países onde a pólio ainda é uma realidade deve ser a urgente interrupção da transmissão viral através das fronteiras. Campanhas suplementares de imunização, imunizações de rotina e rastreamento da propagação viral estão entre as principais formas de combate à transmissão.
“Se deixado sem fiscalização, esse fenômeno pode levar ao fracasso da erradicação global de uma das mais sérias doenças evitáveis por vacinação”, concluiu o Comitê, que identificou Camarões, Paquistão e Síria como os países com o maior risco de exportar o vírus para outros territórios.
A situação representa uma reviravolta no cenário presenciado entre 2012 e 2013, que registrou uma transmissão quase nula do poliovírus entre países. De acordo com o Comitê, há evidências crescentes de que viajantes adultos tenham contribuído para o retorno da doença, que ataca o sistema nervosos de crianças com até cinco anos de idade e, nos piores casos, pode levar à paralisia total.
Os sintomas iniciais são febre, fadiga, dores de cabeça, vômitos, rigidez no pescoço e dores nos membros. Uma em cada 200 infecções leva à paralisia irreversível e entre os que ficam paralisados, entre 5 e 10% morrem, quando os músculos respiratórios ficam imobilizados, afirma ONU.