Organização Mundial da Saúde visita campo de deslocados em Mpoko, que hospeda cerca de 45 mil pessoas. Vigilância sanitária, prevenção e controle de doenças transmissíveis estão entre as prioridades.

Muitas pessoas que fugiram da violência buscaram abrigo na Igreja Católica Romana em Bossangoa, na República Centro-Africana. Cerca de 37 mil pessoas estão refugiadas ali. Saneamento e higiene são algumas das maiores preocupações. Foto: ACNUR/B.Heger
A Organização Mundial da Saúde (OMS) visitou esta semana o campo de deslocados próximo ao aeroporto de Mpoko, na República Centro-Africana (RCA), para avaliar a situação de saúde e determinar quais são as necessidades prioritárias do campo que hospeda cerca de 45 mil pessoas.
No campo de Mpoko, como em todo o país, as principais preocupações de saúde incluem o grande número de pessoas deslocadas internamente (150 mil em Bangui e 500 mil em todo o país) que vivem em locais superlotados, sem acesso à água potável e saneamento, aumentando o risco de doenças diarreicas, como cólera, febre tifoide e disenteria.
Além disso, profissionais de saúde fogem da insegurança e desfalcam as unidades de saúde locais. A OMS afirmou também que há grande escassez de remédios e suprimentos médicos. Outra preocupação são os estragos e saques das instalações de saúde por grupos armados – mais de 50% das unidades de saúde avaliadas até agora foram vandalizadas ou saqueadas e não possuem medicamentos essenciais.
A vigilância sanitária é fraca em um contexto de más condições de vida e elevado risco de doenças transmissíveis como a malária e a pneumonia. A OMS advertiu também sobre a violência sexual e baseada no gênero, em um contexto onde o índice de HIV é elevado. Há igualmente insuficiência de parceiros operacionais para fornecer serviços hospitalares e de cuidados básicos de saúde.
As prioridades mais urgentes para a OMS e os seus parceiros são a prestação imediata de atendimento ao trauma e cirurgia para pessoas feridas; a restauração dos serviços básicos de saúde e de emergência, incluindo serviços hospitalares; o fornecimento contínuo de remédios e suprimentos médicos; a vigilância sanitária, prevenção e controle de doenças transmissíveis; e a coordenação da resposta à saúde em geral, incluindo um aumento da cobertura geográfica de um pacote mínimo de serviços de saúde.