Agência da ONU manifesta preocupação com suspensão do programa de refugiados dos EUA

O alto comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi, afirmou estar profundamente preocupado com a incerteza enfrentada por milhares de refugiados em todo o mundo que estão em processo de reassentamento nos Estados Unidos.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) estima que a suspensão do programa de refúgio nos EUA afetará ao menos 20 mil refugiados durante os 120 dias de suspensão. A estimativa foi feita com base na média mensal de assentados dos últimos 15 anos.

Dois refugiados sírios brincam no assentamento informal de Hawch el Refka, no Vale de Bekaa, no Líbano, próximo à fronteira com a Síria. Foto: UNICEF/Halldorsson

Dois refugiados sírios brincam no assentamento informal de Hawch el Refka, no Vale de Bekaa, no Líbano, próximo à fronteira com a Síria. Foto: UNICEF/Halldorsson

O alto comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi, afirmou nesta segunda-feira (30) estar profundamente preocupado com a incerteza enfrentada por milhares de refugiados em todo o mundo que estão em processo de reassentamento nos Estados Unidos.

Somente nesta semana, mais de 800 refugiados que seriam estabelecidos nos EUA foram impedidos de viajar ao país. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) estima que a suspensão do programa de refúgio afetará ao menos 20 mil refugiados durante os 120 dias da suspensão. A estimativa foi feita com base na média mensal de assentados dos últimos 15 anos.

Na sexta-feira (27), o presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que, entre outras coisas, suspende o programa de recebimento de refugiados dos EUA por 120 dias, de acordo com a imprensa, além de barrar a entrada de refugiados de diversos países de maioria muçulmana, entre eles a Síria, até nova ordem.

Os refugiados estão ansiosos e confusos com a suspensão de um processo que já é normalmente longo, alertou a agência da ONU. Segundo o ACNUR, indivíduos e famílias indicados aos governos para o reassentamento são os mais vulneráveis — pessoas que precisam de assistência médica urgente, sobreviventes de tortura e mulheres e meninas em risco. Os novos lares salvam vidas de pessoas que não têm outras opções, alertou a organização.

Segundo o ACNUR, os refugiados aceitos para reassentamento pelos EUA passam por rigoroso processo de triagem, e chegam ao país para reconstruir suas vidas com segurança e dignidade. A agência diz esperar que eles possam fazê-lo o mais rápido possível.

O reassentamento tem sido um efetivo sinal de solidariedade com os refugiados mais vulneráveis do mundo, de acordo com o ACNUR. “É também uma forma importante de governos e comunidades ajudarem a partilhar a responsabilidade com os principais países de acolhimento, que têm suportado o peso da crise de deslocamento nos últimos anos”, afirmou a agência.

“Por décadas, os EUA têm sido um líder global em proteção aos refugiados, uma tradição enraizada na tolerância e generosidade do povo americano. O ACNUR espera que os EUA continuem com seu forte papel de liderança e sua longa história de proteger aqueles que são forçados a deixar suas casas devido a conflitos e perseguições.”

Para o ACNUR, refugiados devem receber tratamento igual de proteção e assistência, assim como oportunidades de reassentamento, independentemente da sua religião, nacionalidade ou raça.