Dezenas de refugiados congoleses, incluindo crianças, se afogaram no Lago Alberto, entre a República Democrática do Congo e Uganda. Campanha alerta sobre risco de travessia.

Pescadores ugandeses procuram vítimas do naufrágio no Lago Alberto. Foto: ACNUR/ M.Sibiloni
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) afirmou estar “chocada” e “entristecida” pelo naufrágio que aconteceu esse final de semana no Lago Alberto, entre a República Democrática do Congo (RDC) e Uganda, no qual dezenas de refugiados congoleses, incluindo crianças, se afogaram.
O barco era um de dois que saíram do distrito de Hoima, na parte oriental do lago, no sábado (22) de manhã, carregando refugiados que estavam morando no acampamento de Kyangwali, mas estavam voltando para casa na parte oriental da RDC de forma voluntária.
Um dos barcos naufragou e, segundo informações obtidas pelo ACNUR por meio de autoridades e refugiados até o momento, 41 pessoas foram resgatadas e 98 corpos recuperados. Cerca de 250 pessoas estariam a bordo do barco.
“Esta tragédia me chocou profundamente”, disse António Guterres, alto comissário das Nações Unidas para Refugiados. “Meus pensamentos estão com aqueles que perderam pessoas queridas e com os sobreviventes. Sou grato ao governo e outros atores que montaram uma operação de busca e salvamento e estão ajudando os sobreviventes. Eu solicitei ao nosso escritório na Uganda que prestasse todo o apoio necessário.”
Os sobreviventes foram transportados para o distrito de Bundibugyo, no noroeste da Uganda, onde o ACNUR, oficiais do governo da Uganda e parceiros da ONU estão fornecendo ajuda, incluindo ajuda psico-social.
A identificação dos falecidos, realizada por parentes que estão sendo trazidos da RDC, acontece no hospital do distrito de Bundibugyo. O ACNUR e o governo da Uganda também estão facilitando o transporte dos corpos de volta para a República Democrática do Congo.
Além disso, o ACNUR mobilizou equipes de apoio e recursos, além de ter montado um ponto de informação e resposta no Centro de Trânsito de Bundibugyo para dar suporte aos parentes dos sobreviventes.
Uganda é um país que acolhe muitos refugiados, com uma população de solicitantes de refúgio e refugiados superior a 328.900, segundo dados do final de fevereiro.
Enquanto muitos recém-chegados têm vindo do Sudão do Sul, Uganda ainda acolhe cerca de 175 mil refugiados congoleses – incluindo cerca de 66 mil que fugiram para Bundibugyo desde julho para escapar de combates no leste da RDC. As pessoas afetadas pela tragédia pertenciam a esse grupo.
Nos últimos três meses, o ACNUR tem visto um aumento no número de refugiados congoleses retornando voluntariamente para a República Democrática do Congo. Eles são principalmente pessoas que chegaram em Uganda nos últimos dois ou três anos e estão morando relativamente perto da fronteira.
A maioria dos que estão voltando agora estão indo rumo a uma região relativamente segura de Rutshuru, na província de Kivu do Norte, enquanto alguns repatriados estão indo para a área de Kamango, para campos de deslocados internos.
Os refugiados estão utilizando tanto a rota de barcos no Lago Alberto quanto estradas. Uma campanha alertando sobre os perigos de cruzar o lago estava em andamento quando a tragédia aconteceu.