Agência da ONU para Refugiados e FAO unem esforços para atender refugiados no Sudão do Sul

Duas agências das Nações Unidas — a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) — uniram esforços para distribuir sementes e ferramentas agrícolas para 200 mil refugiados e comunidades locais no Sudão do Sul, com o objetivo de torná-los mais autossuficientes em um país que enfrenta grave crise alimentar.

Sementes distribuídas pela FAO aumentam a disponibilidade de vegetais frescos em áreas de conflito em Akobo, Sudão do Sul. Foto: FAO

Sementes distribuídas pela FAO aumentam a disponibilidade de vegetais frescos em áreas de conflito em Akobo, Sudão do Sul. Foto: FAO

Duas agências das Nações Unidas uniram esforços para distribuir sementes e ferramentas agrícolas para 200 mil refugiados e comunidades locais no Sudão do Sul, com o objetivo de torná-los mais autossuficientes em um país que enfrenta grave crise alimentar.

Este ano, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) já entregaram cerca de 186 toneladas de sementes, ferramentas manuais e kits de pesca para refugiados e comunidades locais em Unity, Alto Nilo, Jonglei, Equatória Central e Equatória Ocidental.

“Temos o prazer de anunciar que essas intervenções estão funcionando bem, mas também estamos em busca de soluções rápidas que ajudem os refugiados a serem mais autossuficientes e menos dependentes da ajuda humanitária no longo prazo”, disse o representante do ACNUR, Ahmed Warsame. “Esta é a essência da parceria ACNUR-FAO”, acrescentou.

“As pessoas aqui não têm recursos para comprar as coisas de que precisam para começar a plantar e precisam de apoio para conseguir produzir seu próprio alimento”, disse  Serge Tissot, representante da FAO. “Essas distribuições têm sido muito oportunas, tendo em vista que a temporada de plantio acaba de começar”, concluiu Serge.

Avaliações mostraram que a situação de segurança alimentar e nutricional é preocupante em muitas áreas do país, inclusive em Alto Nilo — região que abriga quatro campos de refugiados e a maior população de refugiados do Sudão do Sul.

Uma pesquisa nutricional, realizada no final de 2015, descobriu que os campos de refugiados de Maban, no Alto Nilo, registraram níveis mais elevados de desnutrição em comparação a 2014. É o caso do campo de Doro, onde as taxas de desnutrição aguda global e de desnutrição aguda grave foram, respectivamente, 15,5% e 2,6% — acima dos padrões do ACNUR (10% e 2%).

“Sem as distribuição de sementes não podemos sobreviver. Nem todos são capazes de manter as sementes para o próximo ano. Algumas pessoas conseguem, mas por causa da falta de comida, às vezes, somos forçados a comer as sementes mantidas para o plantio”, disse um refugiado sudanês do estado de Nilo Azul. “Esperamos pela paz. Só assim conseguiremos voltar para casa, onde podemos ser livres”, lamentou.