Agência da ONU pede apoio para ajudar milhares de refugiados congoleses em Uganda

Existem atualmente cerca de 2,6 milhões de pessoas deslocadas internamente na RD Congo, enquanto mais de 290 mil refugiados fugiram do país desde o início de 2012, com mais de 170 mil pessoas em Uganda apoiadas pela ONU.

Refugiados congoleses com seus pertences no centro de trânsito do Bubukwanga, no distrito de Bundibugyo, em Uganda. Foto: ACNUR/L. Beck

Refugiados congoleses com seus pertences no centro de trânsito do Bubukwanga, no distrito de Bundibugyo, em Uganda. Foto: ACNUR/L. Beck

A agência das Nações Unidas para refugiados (ACNUR) informou nesta sexta-feira (20) que está buscando financiamento extra de 21,4 milhões de dólares para ajudar os civis que fugiram do leste da República Democrática do Congo (RDC) e solicitaram refúgio na vizinha Uganda.

O valor cobre as necessidades até o final do ano e foi revisado para refletir o influxo no distrito de Bundibugyo de dezenas de milhares de refugiados, vindos da região de Kamango, na província de Kivu do Norte, na RDC.

O apoio é parte do total 43,7 milhões de dólares que o ACNUR está buscando para ajudar os refugiados congoleses que chegaram de Uganda para escapar da violência na província de Kivu do Norte desde o início de 2012. O apelo financeiro total está financiado em apenas 28% até o momento.

Segundo a agência, o recente influxo de Kivu Norte para Bundibugyo começou em julho, quando um grupo rebelde pouco conhecido de Uganda que atua na RDC, as Forças Democráticas Aliadas, atacou a cidade de Kamango e iniciou um combate com as tropas do governo congolês, provocando ondas de deslocamento.

“A situação está mais ou menos estabilizada, mas cerca de 100 pessoas por dia ainda estão cruzando a fronteira para este montanhosa, dura, porém densamente povoada região”, disse a porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, a jornalistas em Genebra.

Mais ao sul, perto de Goma, contínuos confrontos entre grupos armados e o exército congolês – apoiado pela brigada de intervenção da ONU –, bem como a luta entre as diferentes milícias e a total falta de leis, também continuam deslocando as pessoas para Uganda.

A agência informou que os recursos são vitais para, entre outras prioridades, prestar serviços de saúde, água, saneamento e educação, bem como materiais de abrigo, pacotes agrícolas e utensílios domésticos.

Existem atualmente cerca de 2,6 milhões de pessoas deslocadas internamente na RDC, enquanto mais de 290 mil refugiados fugiram do país desde o início do ano passado, disse o ACNUR. Em Uganda, mais de 170 mil já foram atendidas em três distritos.