Agência da ONU pede fim da impunidade por tráfico de drogas em alto-mar

UNODC realiza evento para discutir o crescimento do narcotráfico em rotas marítimas e estratégias para contornar os desafios. Leis têm muitas brechas e dificultam o combate à pirataria.

UNODC realiza evento para discutir o crescimento do narcotráfico em rotas marítimas e estratégias para contornar os desafios. Leis têm muitas brechas e dificultam o combate à pirataria.

Veleiros saem da Costa de Makran para o fornecimento de heroína e outras drogas. Foto: UNODC

Veleiros saem da Costa de Makran para o fornecimento de heroína e outras drogas. Foto: UNODC

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) sediou nesta terça-feira (9) um evento sobre o crescimento do narcotráfico em rotas marítimas meridionais, particularmente no Oceano Índico.

Na abertura do evento “O sucesso do modelo de Pirataria do Ministério: Estratégias para acabar com a impunidade no mar”, o diretor executivo do UNODC, Yury Fedotov, explicou que a incapacidade de processar os traficantes que atuam em alto-mar é o maior desafio.

“Como nós vimos, as apreensões de drogas por si só não impediram os criminosos, que continuam foragidos por conta da dificuldade de execução. Se quisermos conter o problema do tráfico de heroína através do Oceano Índico, precisamos encontrar outras opções para perseguir os traficantes de drogas”, destacou Fedotov em um comunicado de imprensa sobre o evento.

O diretor executivo observou que mesmo com a apreensão de 4.200 quilos de heroína nos últimos 18 meses, durante missões internacionais de combate à pirataria e terrorismo nas águas da África, Oriente Médio e Sul da Ásia, os traficantes foram liberados porque as apreensões ocorreram em águas internacionais.

Para prevenir a cultura de impunidade em alto-mar, Fedotov ressaltou que o Programa de Crime Marítimo do UNODC está desenvolvendo iniciativas no Sri Lanka, Tanzânia e Seicheles, com partilha de informações, investigações conjuntas e respostas jurídicas. “Com este programa, o UNODC pretende alavancar sua vasta experiência de trabalhar com os Estados do leste africano para processar e encarcerar piratas com sucesso.”

Nos últimos quatro anos tem se visto uma mudança dramática em direção à rota do sul para o fornecimento de heroína e outras drogas por via marítima para África, Europa e Ásia. As drogas saem da Costa de Makran, próxima à fronteira entre Irã e Paquistão, transportadas por “dhows”, veleiros motorizados com um ou dois mastros, e posteriormente são transferidas para embarcações menores destinadas ao litoral do leste da África.