Nações Unidas atuam junto a Governos, União Europeia e parceiros para implementar resposta abrangente para salvar vidas de refugiados e migrantes no mar e pedem medidas para evitar tragédias e aumentar responsabilidade compartilhada.

Young Omar e seus pais, que fugiram da Síria para a Turquia, foram aceitos para reassentamento na França. Foto: ACNUR/J.Tanner
Com o crescente número de sírios em busca de segurança na Europa, a agência da ONU para refugiados disse nesta sexta-feira (18) que está preocupada com as dificuldades que essas pessoas enfrentam para passar nas fronteiras, incluindo o risco de afogamento no mar.
A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Melissa Fleming, citou o caso de um barco que transportava entre 400 e 500 sírios e palestinos que afundou no Mediterrâneo na sexta-feira (11). Somente 200 pessoas foram resgatadas.
“Estamos perturbados que a causa da tragédia poderia muito bem ser atribuída a tiros que foram disparados depois que o barco deixou a Líbia, ferindo quatro passageiros e danificando o casco”, declarou Fleming em Genebra, na Suíça.
No mesmo dia, lembrou ela, um barco afundou perto de Alexandria, no Egito, com cerca de 112 passageiros a bordo, dos quais 40 eram sírios. Vinte corpos foram encontrados, incluindo de cinco crianças. Os sobreviventes estão presos em dois postos policiais.
Eles estão entre o crescente número de sírios que tentam cruzar o Mediterrâneo do Egito para a Itália por causa da inquietação sobre a segurança, de acordo com o ACNUR. Muitos mencionam agressões físicas, ameaças verbais, detenção e deportação.
O Governo do Egito estima que entre 250 mil e 300 mil sírios estejam atualmente no país, dos quais mais de 122 mil foram registrados pelo ACNUR.
Entre janeiro e setembro, pelo menos 7.557 sírios e palestinos chegaram à costa italiana, sendo 6.233 desde agosto em 63 barcos. Em 2012, foram cerca de 350 sírios. A maioria dos sírios que chegam à Itália prosseguem viagens para outros países em busca de asilo.
O ACNUR demonstrou preocupação especialmente com o crescente número de crianças desacompanhadas fazendo a viagem. Como o custo da travessia fica entre 2 mil e 5 mil dólares por pessoa, algumas famílias optam por enviar as crianças sozinhas ou com parentes e amigos.
“O ACNUR nota com preocupação que mais de 800 sírios foram detidos no Egito desde agosto por tentar sair ilegalmente e 144, incluindo 44 crianças, foram deportados para um terceiro país”, disse Fleming.
“Embora as acusações não tenho sido estabelecidas, quase 590 pessoas continuam em detenção administrativa, incluindo mulheres e 84 crianças. O ACNUR está buscando acesso aos detidos a fim de verificar corretamente os números, condições e necessidades e fornecer assistência legal.”
A agência reconhece que diversos países no Norte da África são cada vez mais afetados pelo deslocamento provocado pela crise na Síria, impondo exigências adicionais para a infraestrutura e recursos locais. Dada as necessidades dramáticas dos refugiados sírios, que devem aumentar num futuro próximo, reforçar a capacidade desses países de recebê-los é urgente.
O ACNUR está trabalhando com Governos, União Europeia e outros parceiros para implementar uma resposta abrangente para salvar vidas de refugiados e migrantes no mar. A agência está apelando por uma série de medidas para evitar tragédias e aumentar a responsabilidade compartilhada.
Abordagens generosas de proteção são necessárias, destacou a porta-voz, como a não penalização dos que chegam sem documentação; flexibilização na aplicação de critérios e procedimentos de reagrupamento familiar, dispensando certas exigências de visto; e facilitação da entrada de sírios para trabalhar, estudar, com família ou com propósito humanitário por meio de programas nacionais.
Mais de 100 mil pessoas foram mortas na Síria desde o levante contra o presidente Bashar Al-Assad em março de 2011. O conflito também forçou a fuga de 2 milhões de pessoas para países vizinhos e deslocou internamente cerca de 4,5 milhões de pessoas.